Ex-presidente do BRB troca de advogado e sinaliza acordo de delação no Caso Master

Ex-presidente do BRB foi aconselhado a fazer delação, mas insistiu em  manter defesa

Paulo Henrique Costa, preso na quarta fase da Operação Compliance Zero, segue roteiro semelhante ao do ex-banqueiro Daniel Vorcaro


O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, decidiu trocar de advogado como sinal de que pretende iniciar um processo de colaboração premiada.

Com a mudança, o advogado Cleber Lopes deixa o caso, e Costa negocia para que o criminalista Davi Tangerino assuma sua defesa.

Dois fatores explicam a troca. O primeiro é a sinalização do executivo de que pretende fechar uma delação, o que exige uma mudança na estratégia de defesa — até então baseada na tese de que ele não teve responsabilidade no escândalo envolvendo o Banco Master. O segundo é que Cleber Lopes também representa o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha, e as duas defesas poderiam se tornar conflituosas.

O movimento repete um padrão já visto no caso. A troca segue roteiro semelhante ao do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que também substituiu seus advogados para encaminhar uma delação premiada.

Costa foi preso durante a quarta fase da Operação Compliance Zero. Ele e o advogado Matheus Monteiro são investigados pelo suposto pagamento de propina do Master em negociações com o BRB — envolvendo a transferência de seis imóveis avaliados em R$ 146,5 milhões. De acordo com decisão do STF, Vorcaro teria usado o repasse desses imóveis para obter o apoio de Costa nas negociações com o banco estatal de Brasília.

O caso segue em andamento no Supremo Tribunal Federal. A Segunda Turma do STF iniciou nesta quarta-feira (22) o julgamento sobre a prisão de Paulo Henrique Costa. O ministro André Mendonça, relator do caso, votou pela manutenção da prisão, e foi acompanhado pelo ministro Luiz Fux. A votação ocorre em sessão virtual e ficará aberta até as 23h59 da próxima sexta-feira (24). O ministro Dias Toffoli se declarou suspeito e não participará do julgamento.

Segundo o ministro André Mendonça, o envolvimento de Paulo Henrique Costa não se limita a falhas administrativas, mas indica, em tese, participação consciente em um arranjo criminoso para favorecer a liquidez do Banco Master em troca de vantagens indevidas.

No campo das investigações, fontes ligadas à apuração indicam que informações surgidas durante as negociações da delação de Vorcaro já ajudaram a fundamentar as prisões realizadas. Além disso, a operação foi deflagrada novamente sem incluir autoridades de alto escalão dos Três Poderes entre os alvos — o que investigadores atribuem à espera pela concretização das delações para só então avançar sobre os nomes mais relevantes.

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