
A relação entre grandes grupos financeiros e o poder político voltou ao centro das discussões no Brasil. A Havaianas, marca pertencente à Alpargatas, está no foco após uma campanha publicitária recente ser interpretada como alinhada à esquerda, ao utilizar uma figura pública conhecida por sua militância política.
Desde 2017, a Alpargatas é controlada por um grupo liderado pela Itaúsa, holding ligada ao Itaú Unibanco, em parceria com os fundos Cambuhy e Brasil Warrant. Por trás desse controle estão as famílias Setúbal e Moreira Salles, que também comandam o banco.
O debate ganhou ainda mais força após vir à tona que uma herdeira do Itaú foi uma das maiores doadoras individuais da campanha de Lula na última eleição. O episódio reacendeu questionamentos sobre a proximidade entre grandes conglomerados financeiros e o poder político no país.
A campanha da Havaianas foi vista por críticos como um abandono da neutralidade, transformando a publicidade em ferramenta ideológica. Para parte da opinião pública, a marca estaria se posicionando politicamente em vez de manter foco apenas no consumidor e no produto.
O caso levanta reflexões sobre os limites do ativismo corporativo, o papel das empresas no financiamento político e até onde o marketing pode se confundir com ideologia. Para especialistas, o episódio é mais um exemplo de como marcas globais precisam equilibrar posicionamento social com respeito à diversidade de seus consumidores.
polêmica envolvendo Itaú, Havaianas e política mostra que, no Brasil, o debate sobre o papel das empresas vai muito além dos negócios.