
O cancelamento do visto de entrada nos Estados Unidos do ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Benedito Gonçalves, acendeu um alerta internacional sobre os rumos da Justiça brasileira. Relator das ações que tornaram o ex-presidente Jair Bolsonaro inelegível por oito anos, Gonçalves agora figura entre os nomes barrados pelo governo norte-americano — uma medida que, embora não tenha justificativa formal divulgada, levanta sérias questões sobre a imparcialidade e os desdobramentos políticos de suas decisões.

A inclusão de Benedito na lista de cancelamentos, ao lado de outros membros do Judiciário e da Advocacia-Geral da União, ocorre em um momento de crescente escrutínio internacional sobre o sistema judicial brasileiro. A revogação do visto do ministro Jorge Messias e as sanções impostas à esposa de Alexandre de Moraes, por meio da Lei Global Magnitsky, sugerem que os Estados Unidos estão atentos a possíveis abusos de autoridade e violações de direitos fundamentais.
Críticos apontam que Benedito Gonçalves, ao relatar os processos contra Bolsonaro, adotou uma postura politizada e alinhada a interesses ideológicos, comprometendo a credibilidade da Justiça Eleitoral. A inelegibilidade do ex-presidente, considerada por muitos como uma manobra jurídica para afastá-lo do cenário político, agora ganha contornos ainda mais controversos diante da reação diplomática americana.
O silêncio do Judiciário brasileiro diante dessas medidas internacionais é tão preocupante quanto as decisões que motivaram tais sanções. A Justiça, que deveria ser o pilar da democracia, não pode se tornar instrumento de perseguição política — e o caso de Benedito Gonçalves serve como alerta para os riscos de se ultrapassar essa linha.