
O deputado federal e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem (PL-RJ), reagiu com indignação à sua condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que o sentenciou a 16 anos de prisão por suposta participação na chamada “trama golpista” de 2022. Em uma série de vídeos publicados nas redes sociais, Ramagem afirma que a decisão se baseia em uma delação premiada que sequer o menciona, classificando o processo como uma “farsa” e uma “perseguição política clara e indisfarçada”.
Delação sem citação direta
Ramagem aponta que a delação do tenente-coronel Mauro Cid, considerada peça central da acusação, não o cita em nenhum momento. Mesmo assim, ele foi incluído no “núcleo crucial” da suposta organização criminosa. O deputado questiona:
“Todos sabem que a delação do Mauro Cid foi a espinha dorsal de toda essa ação. Agora, você sabia que o delator não me citou uma única vez?”
Provas questionadas
Durante o julgamento, o ministro Alexandre de Moraes alegou que Ramagem teria usado a Abin como uma central paralela de contrainteligência, produzindo relatórios que atacavam o TSE e eram utilizados por Bolsonaro. Ramagem rebateu, dizendo que os documentos encontrados eram escritos pessoais, sem qualquer crime, e que a única prova apresentada foi um vídeo público disponível no YouTube.
O ministro Luiz Fux foi o único a votar pela absolvição, reconhecendo a ausência de provas materiais e destacando que Ramagem já havia deixado o cargo na Abin antes dos atos de 8 de janeiro.
Impacto político e institucional
Com a condenação, Ramagem poderá perder o mandato parlamentar e o cargo de delegado da Polícia Federal. A decisão reacende o debate sobre ativismo judicial, criminalização da opinião política e os limites da atuação do STF em casos de alta carga ideológica.