
O caso envolvendo a deputada federal Helena da Asatur (MDB-RR) e a empresa Voare Táxi Aéreo, da qual ela é sócia, está no centro de uma investigação da Polícia Federal que levanta sérias questões sobre contratos públicos, favorecimento político e uso de recursos da União.
Contratos milionários sob suspeita
Desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Voare recebeu R$ 271 milhões em 17 contratos com o governo federal, sendo R$ 96 milhões sem licitação — o que acendeu alertas sobre possíveis irregularidades. Os contratos foram firmados com os ministérios da Saúde, Justiça e Segurança Pública, e Defesa, e envolvem principalmente serviços de transporte aéreo em áreas remotas, especialmente na região Norte.
Ligação direta com a parlamentar
Helena declarou à Justiça Eleitoral que possui 10% das ações da Voare, avaliadas em R$ 990 mil. A empresa é presidida por seu marido, Renildo Evangelista Lima, que foi flagrado pela PF com dinheiro escondido na cueca em setembro de 2023. Apesar do episódio, os contratos com a União continuaram sendo firmados, inclusive alguns com dispensa de licitação.
Proximidade com o governo
A deputada aparece em eventos e imagens ao lado do presidente Lula e do ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), cuja pasta está entre as contratantes da Voare. Essa proximidade política levanta suspeitas sobre tráfico de influência e uso da estrutura empresarial para fins eleitorais, foco principal da investigação da PF em Roraima.
Perfil político e atuação empresarial
Helena foi eleita com 15.832 votos e é gestora da empresa Asatur Transporte, além de possuir formação como bióloga e técnica ambiental. A operação da PF também teve como alvo o presidente da CBF, Samir Xaud, filiado ao MDB e ex-candidato a deputado federal.
Esse escândalo reúne elementos de superfaturamento, favorecimento político e conflito de interesses, e pode ter desdobramentos significativos tanto no campo jurídico quanto no cenário político nacional.