
Documentos obtidos pelo portal Metrópoles revelaram um esquema milionário de desvio de recursos envolvendo o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi). A investigação da Polícia Federal, batizada de Operação Sem Desconto, aponta que dirigentes do sindicato recebiam comissões toda vez que aposentados tinham descontos aplicados em seus benefícios — muitas vezes sem consentimento ou sequer conhecimento.

Segundo os dados apurados, essas comissões somam pelo menos R$ 4,1 milhões, e beneficiaram diretamente familiares de figuras influentes dentro do sindicato. Entre os nomes citados estão:
- Milton “Cavalo” Baptista de Souza, presidente do Sindnapi, cuja esposa foi sócia da empresa contratada para processar os dados dos aposentados.
- Tonia Andrea Inocentini Galleti, diretora jurídica do sindicato, ligada ao ex-ministro Carlos Lupi (PDT). Seu marido também aparece como sócio da empresa envolvida.
- José Ferreira da Silva, o Frei Chico, vice-presidente do sindicato e irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A empresa Gestora Eficiente LTDA, controlada por familiares dos dirigentes, era responsável por encaminhar os dados dos aposentados à Dataprev, permitindo que o Sindnapi recebesse os valores descontados diretamente da folha do INSS. O modelo de remuneração era por produtividade: quanto mais aposentados eram descontados, maior o lucro da empresa.
Crescimento suspeito dos repasses Entre 2020 e 2024, os repasses ao Sindnapi saltaram de R$ 23 milhões para R$ 154,7 milhões — um aumento de quase 564%. Esse crescimento acelerado chamou atenção dos investigadores, que identificaram indícios de enriquecimento ilícito por parte dos dirigentes. Milton Cavalo, por exemplo, teria construído uma mansão em Ibiúna (SP), enquanto sua esposa abriu uma offshore em Miami.
Aposentados lesados Muitos aposentados relataram ter buscado empréstimos consignados e, sem saber, tiveram seus dados utilizados para autorizar descontos mensais em favor do sindicato. Em alguns casos, os beneficiários sequer sabiam que estavam filiados ao Sindnapi.
Investigação em curso A Polícia Federal já cumpriu mandados de prisão e sequestro de bens. Apesar das evidências, a Advocacia-Geral da União (AGU) ainda não entrou com ações judiciais contra o sindicato. O caso levanta sérias questões sobre a fiscalização dos sindicatos e a vulnerabilidade dos aposentados diante de práticas abusivas.