
Em tempos em que se exige cada vez mais responsabilidade e transparência do poder público, a ApexBrasil — agência estatal responsável por promover exportações e investimentos — protagoniza um episódio lamentável. Ao descumprir prazos legais e se recusar a informar os gastos com o desfile de moda “Brasil, Criativo por Natureza”, realizado em um dos espaços mais sofisticados de Paris, a agência não apenas afronta a Lei de Acesso à Informação, como também desrespeita o contribuinte brasileiro.

O evento, realizado em 4 de junho no Café de l’Homme, com vista privilegiada para a Torre Eiffel, foi organizado pela primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e contou com a presença de Brigitte Macron, primeira-dama da França. A iniciativa levou artistas e estilistas brasileiros à capital francesa, com apoio da ABEST (Associação Brasileira de Estilistas), e foi celebrada como uma vitrine da moda nacional. Mas o brilho das passarelas não pode ofuscar a opacidade dos bastidores.
Omissão Deliberada
O Poder360 solicitou, via Lei de Acesso à Informação, detalhes sobre os custos do desfile e do Fórum Econômico Brasil-França, também realizado em Paris. A ApexBrasil ignorou completamente o pedido, não respondeu dentro do prazo legal e sequer solicitou prorrogação — uma violação direta da legislação que garante ao cidadão o direito de saber como o dinheiro público é gasto.
Essa omissão é grave. O evento envolveu transporte, hospedagem, alimentação e logística para convidados nacionais e internacionais, além de custos com aluguel de espaços luxuosos, publicidade e produção. Sem transparência, não há como avaliar se os recursos foram aplicados com eficiência ou se houve excessos incompatíveis com a realidade brasileira.
Moda com Dinheiro Público
É inegável que a moda brasileira merece espaço internacional. Mas quando o Estado financia eventos em locais de alto luxo, com curadoria pessoal da primeira-dama e sem prestação de contas, a iniciativa deixa de ser institucional e passa a parecer um projeto pessoal travestido de política pública.
A presença de Janja e Brigitte Macron pode ter rendido boas fotos e manchetes, mas não justifica o silêncio da ApexBrasil. O desfile, por mais bem-intencionado que seja, não pode ser blindado da fiscalização pública. O glamour não pode ser desculpa para a falta de responsabilidade.
O Custo da Falta de Transparência
A ApexBrasil deveria ser exemplo de gestão eficiente e transparente. Ao esconder os gastos e ignorar a lei, compromete sua credibilidade e levanta suspeitas sobre o real propósito do evento. O Brasil precisa de promoção internacional, sim — mas com ética, clareza e respeito ao dinheiro público.