
O governo federal tem enfrentado críticas por manter a alíquota de 18% sobre o etanol importado dos Estados Unidos, medida que, segundo especialistas e representantes da indústria, beneficia diretamente o bilionário Rubens Ometto, controlador da Cosan e da Raízen, líder no mercado de etanol no Nordeste.

Entenda o cenário
- Tarifa atual: Brasil cobra 18% sobre o etanol americano, enquanto os EUA aplicam apenas 2,5% sobre o etanol brasileiro.
- Impacto no preço: Sem a tarifa, o litro do etanol cairia de R$ 3,53 para cerca de R$ 3,10, segundo a consultoria Argus.
- Crise da Raízen: A empresa encerrou a safra 2024/25 com prejuízo de R$ 4,2 bilhões e acumula uma dívida de R$ 34,3 bilhões. O grupo Cosan já anunciou um plano de desinvestimento de R$ 15 bilhões.
Proteção estratégica?
- A Raízen investiu R$ 200 milhões em um terminal portuário em São Luís (MA), que funciona como hub logístico no Norte/Nordeste.
- A região tem déficit estrutural de produção de etanol, o que torna o mercado vulnerável à concorrência externa.
- Reduzir a tarifa poderia quebrar o equilíbrio artificial que protege a Raízen, tornando o etanol americano mais competitivo.
Repercussão internacional
- A manutenção da tarifa ocorre em meio ao tarifaço de Donald Trump, que elevou impostos sobre exportações brasileiras de aço e alumínio.
- Autoridades dos EUA criticam a política brasileira como protecionista, dificultando negociações comerciais bilaterais.
Silêncio oficial
- O Ministério da Indústria e Comércio, liderado por Geraldo Alckmin, não sinalizou qualquer intenção de rever a alíquota.
- Fontes do setor afirmam que há pressão direta da Cosan para manter a proteção comercial.