
A decisão do governo federal de excluir quatro sindicatos investigados pela Polícia Federal e pela CGU das ações judiciais contra entidades acusadas de fraudes bilionárias no INSS gerou forte repercussão e acusações de tratamento desigual. Entre os poupados estão a Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura) e o Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos), este último tendo como vice-presidente o sindicalista Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O que está em jogo?
- As quatro entidades excluídas — Contag, Sindnapi, Conafer e ABCB/Amar Brasil — arrecadaram juntas mais de R$ 500 milhões por meio de descontos em benefícios de aposentados e pensionistas.
- A AGU (Advocacia-Geral da União) pediu o bloqueio de R$ 2,56 bilhões em bens de outras 12 entidades, mas não incluiu essas quatro na ação cautelar, apesar de estarem citadas nos relatórios da PF e da CGU.
- O governo alegou que a ação se concentrou em entidades com “fortes indícios de terem sido criadas exclusivamente para fraudar o INSS”, classificando-as como “entidades de fachada”.
Onde está a transparência?
A Liderança da Minoria na Câmara questionou a exclusão por meio da Lei de Acesso à Informação, mas o INSS se recusou a justificar a escolha dos alvos iniciais. A resposta oficial foi vaga: “as apurações continuam e novas ações podem ser movidas”.
Essa falta de clareza levanta dúvidas legítimas sobre interferência política nas investigações. Quando uma entidade liderada por um familiar direto do presidente é poupada, mesmo estando citada em relatórios oficiais, o mínimo que se espera é transparência absoluta.
Um escândalo que exige isenção
A fraude no INSS é um dos maiores escândalos recentes envolvendo recursos públicos, com estimativas de R$ 6,3 bilhões desviados entre 2019 e 2024. A exclusão seletiva de entidades investigadas enfraquece a credibilidade do processo e coloca em xeque o compromisso do governo com a justiça e a imparcialidade.
Se o governo Lula quer se posicionar como defensor dos aposentados e da ética pública, precisa explicar com clareza os critérios adotados e garantir que nenhuma entidade será blindada por vínculos políticos ou familiares.
A justiça não pode ser seletiva. A confiança da população depende da igualdade de tratamento perante a lei.