Dez cidades mais violentas do Brasil estão no Nordeste

ONG mexicana Seguridad y Justicia retira Aracaju de ranking das cidades  mais violentas do mundo – P.M.S.E.

O novo Anuário Brasileiro de Segurança Pública lança luz sobre uma realidade que há muito tempo se arrasta à sombra da negligência institucional: o colapso da segurança pública no Nordeste brasileiro. O fato de que todas as dez cidades mais violentas do país em 2024 estejam concentradas nessa região não é uma coincidência estatística — é um grito por socorro abafado por décadas de omissão, políticas públicas ineficazes e avanço desenfreado do crime organizado.

Nordeste sitiado: facções substituem o Estado

A liderança de Maranguape (CE) no ranking, com 79,9 homicídios por 100 mil habitantes, é emblemática. A cidade, antes fora dos holofotes, agora é palco de uma guerra territorial entre Comando Vermelho (CV) e Guardiões do Estado (GDE). Essa disputa não é apenas por pontos de tráfico, mas por controle social, onde facções ditam regras, expulsam famílias e desafiam abertamente as forças policiais.

Outras cidades como Jequié, Juazeiro, Camaçari, Cabo de Santo Agostinho e São Lourenço da Mata seguem o mesmo roteiro: urbanização desordenada, ausência de políticas sociais, e presença crescente de grupos armados. O Estado, quando aparece, chega tarde — e muitas vezes, mal equipado.

Queda nacional, tragédia regional

Enquanto o Brasil registra uma leve queda de 5,4% nas mortes violentas intencionais, o Nordeste caminha na contramão. A Bahia, por exemplo, lidera em números absolutos com mais de 6 mil assassinatos em 2024, e o Ceará teve um aumento de 10,9% nas mortes violentas. A média nacional de 20,8 homicídios por 100 mil habitantes é pulverizada por cidades nordestinas que chegam a três vezes esse índice.

Vítimas com rosto e cor

O perfil das vítimas é um retrato da desigualdade: 91% são homens, 79% são negros, e quase metade tem menos de 29 anos. São jovens periféricos, alvos fáceis de um sistema que falha em oferecer alternativas e que, muitas vezes, os empurra para o recrutamento por facções.

Onde está o poder público?

A pergunta que ecoa é: onde estão os governos estaduais e municipais? A resposta, infelizmente, é difusa. Em Maranguape, por exemplo, há relatos de zonas de guerra, onde até a presença da imprensa é hostilizada. A prefeitura afirma estar comprometida com políticas sociais, mas os resultados ainda não se traduzem em segurança real.

A falta de investimento em inteligência policial, infraestrutura urbana e prevenção social é gritante. O Nordeste recebe menos recursos per capita em segurança pública do que outras regiões, e as polícias civis operam com déficit de efetivo e tecnologia.

A concentração da violência no Nordeste não é apenas um problema regional — é um alerta nacional. O Brasil não pode continuar tolerando que milhões de cidadãos vivam sob o domínio de facções, sem acesso à paz, à justiça ou à esperança. É hora de romper o ciclo de abandono e enfrentar a violência com coragem, estratégia e compromisso real com a vida.

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