Taxa de Liberação: Agricultura vai cobrar pedágio de 4,5% para liberar emenda

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, posa para foto com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira

A cobrança de um “pedágio” sobre emendas parlamentares por parte de ministérios e órgãos federais gerou forte reação institucional e política em Brasília. A prática, revelada por reportagens recentes, consiste na retenção de um percentual dos valores indicados por deputados e senadores para políticas públicas — supostamente para cobrir custos administrativos.

Ministérios e percentuais retidos

  • Ministério da Agricultura: 4,5% sobre R$ 2 bilhões em emendas — potencial de R$ 90 milhões retidos.
  • Ministério do Desenvolvimento Agrário: 4,5% sobre R$ 3,2 bilhões — até R$ 144 milhões.
  • Ministério do Esporte: 2% sobre emendas destinadas à pasta.
  • Codevasf (controlada pelo Centrão): 4,5% sobre R$ 847,6 milhões em emendas.

Reação do Ministério Público junto ao TCU

O subprocurador Lucas Furtado classificou a prática como “manobra heterodoxa” e “criação de receita sem previsão legal”, o que poderia configurar desvio de finalidade. Ele pediu ao Tribunal de Contas da União (TCU) que suspenda a cobrança e determine medidas para restaurar a legalidade.

Justificativa dos ministérios

As pastas alegam que os valores retidos seriam usados para:

  • Análise técnica de documentos;
  • Acompanhamento da execução dos convênios;
  • Avaliação da prestação de contas.

Contexto político

A medida ocorre em meio a pressões do Congresso por maior liberação de emendas e críticas à lentidão na execução orçamentária. A prática do “pedágio” reacende o debate sobre transparência, controle político sobre o orçamento e legalidade na gestão de recursos públicos

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