
Durante a sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF) em 14 de agosto de 2025, os ministros Luís Roberto Barroso (presidente da Corte) e Luiz Fux protagonizaram um raro e tenso bate-boca público.

O motivo da discussão
O conflito surgiu após Fux reclamar por ter perdido a relatoria de um processo sobre a Cide-Tecnologia, contribuição que incide sobre remessas ao exterior relacionadas ao uso ou transferência de tecnologia. Fux havia sido o relator original, mas foi vencido parcialmente no julgamento, o que levou à transferência da relatoria para o ministro Flávio Dino, que abriu a divergência.
Fux alegou que a divergência foi “mínima” e que, pela tradição da Corte, deveria manter a relatoria. Barroso, por sua vez, afirmou que ofereceu a Fux a possibilidade de reajustar seu voto para continuar como relator, mas que ele recusou. Fux negou que essa oferta tenha sido feita.
Troca de acusações
A discussão escalou quando Barroso declarou:
“Vossa Excelência não está sendo fiel aos fatos.”
Fux respondeu que não queria deixar a situação passar, e Barroso encerrou a sessão de forma abrupta. O ministro Gilmar Mendes tentou intervir e apaziguar os ânimos, mas sem sucesso.
Contexto e repercussão
Esse tipo de desentendimento público entre ministros do STF é incomum, mas não inédito. Barroso já protagonizou embates anteriores, como em 2018, quando chamou Gilmar Mendes de “uma mistura de mal com o atraso e pitadas de psicopatia”.
A discussão reacende o debate sobre procedimentos internos do STF, especialmente em relação à relatoria de processos e à condução das sessões. Também expõe tensões entre ministros em um momento de alta visibilidade institucional.