Caso Master: Mendonça retira sigilo de novos processos que mostram pedido da PF para acessar dados retidos pelo Coaf

Mendonça retira sigilo de parte do caso Master antes de julgamento sobre  Moraes - O Isabelense

Documentos incluem Relatório de Inteligência Financeira que relaciona 823 pessoas físicas e jurídicas e traz movimentações milionárias ligadas à Igreja Batista da Lagoinha Belvedere, à família Vorcaro e à compra de veículos de luxo

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo de novos processos relacionados às investigações sobre o Banco Master. Os documentos mostram que uma das frentes da Polícia Federal (PF) buscava acessar informações que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) havia deixado de compartilhar por identificar envolvimento de pessoas com foro privilegiado.

O Relatório de Inteligência Financeira

Entre os arquivos agora públicos está um Relatório de Inteligência Financeira, o RIF 140515, que reúne comunicações sobre movimentações bancárias, negócios imobiliários e aquisição de veículos de alto valor. O documento relaciona 823 pessoas físicas e jurídicas, mas ressalva que os registros de operações atípicas não significam, por si só, a ocorrência de crimes.

Origem do pedido: PF questionou lacuna criada pelo foro privilegiado

A petição que deu origem à divulgação, a PET 15.645, nasceu de um pedido da PF apresentado em março deste ano. A corporação informou ao STF que investigava possível gestão fraudulenta do Banco Master, entre outros crimes, no âmbito da segunda fase da Operação Compliance Zero. No curso da apuração, a PF pediu ao Coaf relatórios financeiros de pessoas e empresas relacionadas aos fatos.

O órgão enviou o RIF 140515, mas informou que determinadas comunicações haviam ficado de fora porque continham referências a pessoas que poderiam ter foro no Superior Tribunal de Justiça ou no próprio STF. Segundo a PF, essa restrição criava uma lacuna no chamado “follow the money” e dificultava a identificação da cadeia de repasses e dos eventuais beneficiários dos recursos. Por isso, os investigadores solicitaram a Mendonça autorização para receber a íntegra das informações omitidas, além de dados referentes aos cinco anos anteriores à abertura da investigação, desde 2020.

O pedido foi protocolado em 10 de março e deu origem à PET 15.645. No dia seguinte, o processo foi distribuído a Mendonça por prevenção, em razão de sua ligação com a PET 15.198.

Movimentações ligadas à Igreja Batista da Lagoinha Belvedere

O relatório do Coaf que acompanha a petição tem 13 páginas e reúne comunicações de diferentes setores obrigados a informar operações consideradas atípicas ou enquadradas em regras de prevenção à lavagem de dinheiro. Um dos núcleos envolve a Igreja Batista da Lagoinha Belvedere. O documento registra que, entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, uma conta da entidade recebeu cerca de R$ 28,5 milhões e teve aproximadamente R$ 28,6 milhões em saídas.

Entre os principais remetentes aparece Fabiano Campos Zettel, com cerca de R$ 19,2 milhões em 26 operações. Também constam transferências atribuídas à Lagoinha Participações, à HV Empreendimentos, a Henrique Moura Vorcaro e a outras pessoas.

Veículos de luxo sem origem identificada

Outro conjunto de informações envolve a Moriah Asset Empreendimentos e Participações, relacionada a Fabiano Zettel. O Coaf registra negociações com veículos de alto valor, entre elas uma Range Rover de R$ 1,53 milhão, outra transação envolvendo uma Range Rover na faixa de R$ 1,17 milhão, um Cadillac Escalade de R$ 1,6 milhão e um Audi RS6 de R$ 650 mil. Em uma das comunicações, a instituição responsável afirma não ter conseguido identificar a origem dos recursos usados na aquisição de um dos veículos.

Super Empreendimentos movimentou quase R$ 20 milhões em um mês

O RIF também dedica parte significativa de seu conteúdo à Super Empreendimentos e Participações S.A. Em junho de 2022, segundo a comunicação reproduzida no relatório, uma conta da companhia movimentou aproximadamente R$ 9,9 milhões em créditos e R$ 9,79 milhões em débitos. A maior parte das entradas, cerca de R$ 10 milhões, teve Fabiano Zettel como origem indicada. A instituição financeira apontou que a empresa não tinha faturamento cadastrado e considerou a movimentação incompatível com os dados disponíveis, mencionando ainda dificuldade para identificar a origem primária e o destino final de parte dos valores.

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