
João Carlos Mansur diz que fundos administrados pela gestora foram usados para ocultar pagamentos; acordo com a PGR aguarda homologação de Mendonça no STF e prevê multa de R$ 40 milhões

O empresário João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos, afirmou em delação premiada fechada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) que fundos administrados pela gestora foram usados para ocultar o pagamento de propinas de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, a autoridades públicas.
Detalhes da colaboração
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, Mansur detalhou a participação da Reag e de fundos de investimento nas operações e identificou pessoas que teriam atuado como laranjas de Vorcaro. A colaboração também traz informações sobre a movimentação dos recursos, valores enviados ao exterior e caminhos para a recuperação do dinheiro.
Recursos em offshores
Parte dos recursos investigados estaria em offshores fora do Brasil. Com a colaboração, investigadores avaliam que esses valores poderão ser devolvidos ao país sem a necessidade de alguns dos acordos com autoridades estrangeiras normalmente exigidos para a recuperação de ativos. Mansur também se comprometeu a pagar multa de R$ 40 milhões.
Tramitação do acordo
O acordo foi enviado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator das investigações sobre o Banco Master, e ainda precisa ser homologado. A Polícia Federal participou do início das negociações, mas não seguiu nas tratativas. Mansur havia apresentado a proposta de colaboração à PGR em agosto — o documento reunia ao menos 17 temas e tinha Vorcaro como principal foco. Em 2 de setembro, a PGR assinou o acordo e o encaminhou a Mendonça. É a primeira delação firmada pela Procuradoria no âmbito da Operação Compliance Zero.
O papel da Reag nas investigações
As investigações indicam que fundos administrados pela Reag teriam sido usados por Vorcaro para retirar recursos do Master e direcioná-los ao patrimônio pessoal ou ao pagamento de propina. O Banco Central identificou operações irregulares entre o banco e fundos da Reag Trust entre julho de 2023 e julho de 2024.
O que dizem as defesas
À Folha, a defesa de Vorcaro disse que não teve acesso aos anexos da colaboração e que, por isso, não poderia se manifestar. A defesa de Mansur não comentou o caso.
Quem é João Carlos Mansur
Bacharel em ciências contábeis pela Fundação Armando Alvares Penteado, Mansur tem mais de 35 anos de experiência no mercado financeiro e afirma ter estruturado mais de 200 fundos de investimento. Fundou a Reag em 2012 e permaneceu como presidente do conselho de administração até outubro de 2025 — a gestora chegou a administrar cerca de R$ 341,5 bilhões. Mansur também trabalhou na Trump Realty Brazil e passou por empresas como PwC, Monsanto, Tishman Speyer, GetNinjas e Azevedo & Travassos. No futebol, integrou conselhos do Palmeiras e participou das negociações para a construção do Allianz Parque, quando atuava na WTorre. Ele foi alvo das operações Carbono Oculto, que investiga fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, e Compliance Zero, sobre suspeitas de crimes financeiros ligados ao Banco Master.