Flávio Bolsonaro cobra impeachment de Moraes: “Não dá mais para se omitir”

Flávio Bolsonaro publica vídeo depois de ausência em 1º debate

Senador e candidato à Presidência pelo PL pressiona Alcolumbre a colocar em votação processo contra o ministro do STF diante de novas revelações do caso Vorcaro: “A democracia está podre no Brasil”

O senador e candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro (RJ), cobrou nesta terça-feira (1º/9) que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), dê início imediato a um processo de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

“A democracia está podre no Brasil”

Durante discurso na tribuna do Senado, o parlamentar afirmou que, diante das novas revelações envolvendo o magistrado e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, “não dá mais para se omitir”. Flávio acusou o Senado de fechar os olhos para a crise institucional, resumindo sua avaliação na frase: “A democracia está podre no Brasil”.

A manifestação ocorreu no mesmo dia em que vieram a público novas informações extraídas do celular de Vorcaro, entre elas mensagens enviadas pelo ex-banqueiro a Moraes às vésperas de sua prisão, nas quais ele tratava do avanço das investigações e chegou a perguntar se deveria deixar o país. Também foi revelado que Moraes revisou uma versão do contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Master e o escritório de sua mulher, Viviane Barci de Moraes. Segundo o relatório da PF, as respostas do ministro às mensagens de Vorcaro foram apagadas e não puderam ser recuperadas pelos investigadores.

Críticas à “anestesia” do Senado

Para Flávio, o conjunto de revelações exige reação imediata do Legislativo. O senador classificou o episódio como um “dia triste” para a democracia e criticou o que chamou de anestesia do Poder Legislativo diante da crise: “É muito preocupante essa espécie de anestesia que estamos vendo por parte do Poder Legislativo, em especial desta Casa. Até quando este Senado vai tapar os olhos e fingir que nada está acontecendo no Brasil, que está tudo normal?”.

O senador defendeu que os parlamentares têm o dever de proteger as instituições, e não individualmente seus integrantes, e atribuiu parte da responsabilidade pela escalada da crise à omissão do próprio Senado: “Chegamos a esse ponto porque este Senado, em que muitos se vangloriam de ter trabalhado pela defesa da democracia, agora não enxerga que a democracia está podre no Brasil”.

Acusação de que parlamentares atuam sob ameaça

Flávio também acusou Moraes de interferir na política e afirmou que parlamentares passaram a atuar sob uma espécie de ameaça permanente de decisões judiciais: “Todo mundo aqui sabe e, muitas vezes, finge que não vê. Hoje, todo mundo aqui, de um jeito ou de outro, acaba vivendo sob uma espécie de ameaça, uma espada apontada para a cabeça, com o sentimento de que um senador não pode vir a esta tribuna dizer o que pensa porque pode acontecer alguma coisa com ele”.

Pressão direta sobre Alcolumbre

Na parte final do discurso, Flávio direcionou a cobrança diretamente ao presidente do Senado. Nesta terça-feira, um novo pedido de impeachment de Moraes foi protocolado na Casa, e o parlamentar defendeu que Alcolumbre dê andamento imediato ao processo: “Não dá para fingir que ele não cometeu crime de responsabilidade. A história está sendo escrita hoje por cada um que está aqui. Alexandre de Moraes precisa ter o processo de impeachment imediatamente iniciado. Imediatamente. Coloque agora em votação aqui no plenário, porque é inaceitável continuarmos aceitando esse tipo de coisa no Brasil”.

O senador atribuiu à omissão do próprio Senado parte da responsabilidade pelo agravamento da crise: “Por causa da nossa omissão, por causa da omissão do Senado Federal, é que as coisas chegaram a esse nível”.

Comparação com o caso Bolsonaro

Flávio afirmou ainda que a abertura do processo permitiria a Moraes exercer direitos que, segundo ele, não foram assegurados ao ex-presidente Jair Bolsonaro: “Vamos iniciar imediatamente um processo de impeachment contra Alexandre de Moraes e dar a ele o que ele não deu ao presidente Bolsonaro: o direito de defesa, o direito ao devido processo legal e o direito de explicar todas essas aberrações que vieram à tona”.

Cobrança ao próprio STF

Ao encerrar sua fala, o senador também cobrou uma reação do Supremo diante das revelações, dizendo esperar que a Corte coloque a preservação da instituição acima da proteção de seus próprios integrantes: “Qual vai ser a decisão? Defesa do Brasil, defesa da instituição, defesa do Supremo ou proteção a um colega? Espero, sinceramente, que a maioria no Supremo cumpra a lei, respeite a Constituição e mostre ao Brasil que ainda tem alguma condição de resgatar a credibilidade do Judiciário”.

Comentários

No comments yet. Why don’t you start the discussion?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *