O senador Rogério Marinho (PL-RN) afirmou nesta segunda-feira (10/8) que o PT “voltou à cena do crime” e que o partido favoreceu negócios ligados ao Banco Master quando governou a Bahia. O congressista citou nominalmente o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o ministro da Casa Civil, Rui Costa, ex-governador baiano, dizendo que os dois “têm muito a explicar” sobre o caso.
A declaração foi publicada por Marinho em referência a reportagem que relacionou decisões dos governos Wagner e Rui Costa na Bahia à trajetória do empresário Augusto Lima, posteriormente associado a Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

“O Banco Master não nasceu do nada. O rastro passa pelo PT da Bahia, por decisões que favoreceram Vorcaro e por aliados de Lula que têm muito a explicar sobre esse enredo, como Jaques Wagner e Rui Costa. O PT voltou à cena do crime! Mudou o escândalo, mas repetiu o método de corrupção!”, escreveu o senador do Rio Grande do Norte. Marinho também aproveitou a manifestação para associar as suspeitas do caso Master a outros escândalos historicamente atribuídos ao PT.
As declarações do senador ocorrem durante o avanço das investigações sobre as relações políticas e empresariais envolvendo Daniel Vorcaro, o Banco Master e diferentes negócios realizados antes da crise que atingiu a instituição financeira.
Privatização e decretos na Bahia
Em 2018, ainda na gestão de Rui Costa, a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), controladora da rede Cesta do Povo, foi privatizada por R$ 15 milhões. O negócio incluía o Credcesta, produto de crédito consignado voltado a servidores públicos estaduais. Dezesseis dias após a privatização, o governo baiano assinou dois decretos que alteraram as regras do Credcesta, incluindo a possibilidade de saque em dinheiro e a ampliação do limite de comprometimento salarial para operações vinculadas ao cartão. Em 2022, já no fim do governo Rui Costa, outro ato estadual restringiu a possibilidade de servidores transferirem dívidas do Credcesta para outras instituições financeiras.
Operação Compliance Zero
As apurações sobre as fraudes no Banco Master estão no escopo da Operação Compliance Zero, autorizada inicialmente pela 10ª Vara Federal de Brasília em novembro de 2025. A primeira fase prendeu provisoriamente os principais executivos ligados à instituição, liquidada pelo Banco Central. O caso passou a tramitar no STF a partir de dezembro de 2025, sob relatoria inicial do ministro Dias Toffoli, que deixou o caso em fevereiro de 2026 — quando André Mendonça assumiu a relatoria. Vorcaro voltou a ser preso no início de março e está detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.
A operação já teve dez fases desde novembro de 2025. Na nona fase, em 18 de junho, o senador Jaques Wagner e o empresário Augusto Lima foram alvos de mandados; a defesa do congressista baiano acionou o STF para tentar anular a ação, e Wagner, sob pressão, deixou o posto de líder do governo no Senado em 24 de junho. Outras fases da operação atingiram o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL) e o pai de Daniel Vorcaro, apontado pela PF como articulador de um esquema de intimidação e espionagem contra adversários do ex-banqueiro. A décima fase, em julho, apurou suspeita de monitoramento contra jornalistas que contrariavam os interesses de Vorcaro.