
Durante uma sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF) em 6 de agosto de 2025, os ministros Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso fizeram comentários que foram interpretados por muitos como irônicos em relação à Bíblia. A discussão girava em torno da complexidade dos textos jurídicos, quando Gilmar afirmou que tanto a Constituição quanto a Bíblia foram escritas com múltiplos sentidos. Barroso complementou com uma ironia: “Porque não usaram a linguagem simples. E depois fizeram traduções em aramaico, grego, latim, aí ficou difícil”.

Diante disso, o ministro André Mendonça, único evangélico da Corte e pastor presbiteriano, reagiu com firmeza e respeito à fé cristã. Antes de proferir seu voto, ele declarou:
“A má interpretação da Bíblia pode produzir grandes heresias. A história tem grandes exemplos disso.”
A fala de Mendonça foi vista como um contraponto direto ao tom adotado pelos colegas, reafirmando a importância de tratar temas religiosos com seriedade e reverência, especialmente em espaços institucionais como o STF.
Ao comparar a complexidade da Constituição com a da Bíblia, e ao ironizar as traduções em “aramaico, grego e latim”, os ministros não apenas banalizaram um texto sagrado, mas também ridicularizaram a espiritualidade de grande parte da população. Em um país onde a fé é parte essencial da identidade cultural, esse tipo de postura é inaceitável, especialmente vindo de autoridades que deveriam zelar pelo respeito e pela pluralidade.
O STF não é palco para sarcasmo religioso
O Supremo Tribunal Federal é a instância máxima da Justiça brasileira, e seus ministros são guardiões da Constituição. Espera-se deles sobriedade, respeito e equilíbrio, não sarcasmo ou deboche — ainda mais quando se trata de símbolos religiosos que carregam séculos de história, fé e esperança.
A fala do ministro André Mendonça, que reagiu com firmeza e serenidade, foi um alívio em meio ao desrespeito. Ao afirmar que “a má interpretação da Bíblia leva à heresia”, Mendonça não apenas defendeu a fé cristã, mas também relembrou que a religião não é terreno para escárnio, mas para reflexão e reverência.
O que está em jogo
Não se trata de exigir que todos os ministros compartilhem da fé cristã, mas de exigir respeito por ela. A Bíblia não é apenas um livro — é um fundamento espiritual, moral e cultural para milhões. Desrespeitá-la é desrespeitar o povo que a lê, a vive e a honra.
A fé cristã não precisa de privilégios, mas exige respeito. E quando esse respeito é violado por quem deveria ser exemplo de equilíbrio institucional, é dever da sociedade reagir — com firmeza, com dignidade, e com a certeza de que a fé não se cala diante do escárnio.