Terremoto na Venezuela já matou 1.450 pessoas; ONU estima 50 mil desaparecidos e 6,8 milhões de afetados — Brasil envia aeronaves com equipes de resgate

Venezuela: desaparecidos após terremotos passam de 50 mil, diz ONU

Neste domingo (28), a ditadura da Venezuela informou que o terremoto que ocorreu na semana passada já matou 1.450 pessoas. O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, confirmou a elevação do número de óbitos — em relação aos 1.430 contabilizados no sábado — e também confirmou a queda de 189 prédios.

O que aconteceu e onde

Dois terremotos atingiram a região ao norte da Venezuela na última quarta-feira, 24. A área mais atingida foi La Guaira, região costeira próxima a Caracas que concentra o principal aeroporto internacional do país e uma densa faixa de ocupação urbana entre o mar e a montanha — uma topografia que historicamente amplifica o impacto de terremotos e deslizamentos, já que a construção em encostas e a alta densidade populacional tornam a evacuação difícil e os escombros abundantes.

O que é um terremoto e por que a Venezuela é vulnerável

Um terremoto é a liberação súbita de energia acumulada nas placas tectônicas — as grandes camadas rochosas que compõem a crosta terrestre e que se movem lentamente ao longo de milhões de anos. Quando duas placas se atritam ou se chocam, a tensão acumulada é liberada na forma de ondas sísmicas que se propagam pelo solo e provocam o tremor. A Venezuela está situada numa região de atividade tectônica moderada, atravessada por uma série de falhas geológicas que ao longo da história já causaram terremotos destrutivos — especialmente no norte do país, onde se localiza Caracas. O terremoto de 1812, que destruiu boa parte da cidade, e o de 1967, que matou mais de 200 pessoas na capital, são os episódios mais conhecidos da história sísmica venezuelana.

A escala da catástrofe: 50 mil desaparecidos e 6,8 milhões de afetados

A ONU estima que haja 50 mil desaparecidos. A agência de migrações da ONU calcula 6,8 milhões de afetados. A projeção utiliza bases de dados de população da região. O número de pessoas impactadas inclui 2 milhões somente em Caracas.

O número de 50 mil desaparecidos é especialmente preocupante porque indica que o trabalho de busca e resgate nos escombros dos 189 prédios destruídos está longe de concluído. Cada hora que passa reduz as chances de encontrar sobreviventes com vida, tornando as operações de resgate uma corrida contra o tempo.

A logística de socorro: aeroporto fechado e 14 mil agentes mobilizados

As equipes de socorro enfrentam dificuldades de logística em La Guaira. O Aeroporto Simón Bolívar suspendeu os voos e ainda não há previsão de reabertura.

O fechamento do Aeroporto Simón Bolívar — o principal hub aéreo da Venezuela, localizado exatamente na região mais devastada — é um dos maiores obstáculos ao socorro internacional. Sem um aeroporto operacional próximo, o acesso de equipes de resgate, equipamentos e suprimentos humanitários precisa ser feito por rotas alternativas mais longas e complexas, num momento em que cada hora conta para os sobreviventes presos sob escombros.

A ditadora interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, mobilizou 14 mil agentes de segurança de Estado. Delcy Rodríguez assumiu interinamente a chefia do governo após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos em janeiro de 2026 — num contexto em que a Venezuela já enfrentava uma das piores crises econômicas e humanitárias de sua história, e agora se vê diante de uma catástrofe natural de proporções históricas.

A reação de Delcy Rodríguez: vaias durante visita às áreas devastadas

A visita da ditadora interina às áreas destruídas pelo terremoto não foi recebida com solidariedade pela população afetada. Delcy Rodríguez foi vaiada durante sua passagem pelas zonas devastadas — uma reação que reflete a desconfiança histórica da população venezuelana em relação ao regime e a percepção de que o governo, já antes do terremoto, havia falhado sistematicamente em prover serviços básicos como energia, água e alimentos.

A atuação do Brasil

A Força Aérea Brasileira enviou aeronaves com profissionais de resgate, além de médicos e cães de busca. Os militares transportaram equipamentos de trabalho em destroços. Dois aviões do Brasil partirão com mantimentos de sobrevivência hoje.

A atuação da FAB é parte de uma resposta humanitária brasileira que, apesar das tensões diplomáticas que marcam a relação entre Brasília e o regime de Caracas, reconhece a urgência da crise e a obrigação de agir quando vidas estão em risco. A Anatel também entrou na operação de socorro, usando sinais de celulares para ajudar nas buscas por pessoas soterradas — uma tecnologia que permite triangular a posição de aparelhos que ainda emitem sinal mesmo sob escombros, orientando equipes de resgate para as áreas com maior probabilidade de encontrar sobreviventes.

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