
As falas do presidente Lula durante agenda em Itajaí, no Litoral Norte do estado, na última sexta-feira (26), provocaram críticas de nomes da direita catarinense e nacional. O pré-candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro se manifestou sobre as declarações do presidente: “Minha solidariedade aos irmãos catarinenses após a agressão de Lula”.
O que Lula disse e por que a declaração gerou tanta reação
Lula comentou que havia pessoas no estado que se consideravam superiores e comparou o que chamou de “hegemonia da ignorância” com os ideais do ditador nazista Adolf Hitler.
O presidente, em discurso diante de aliados políticos e do público presente na cerimônia, afirmou: “Não podem permitir que prevaleça em Santa Catarina o racismo. Não podem permitir que aqui as pessoas sejam tomadas pela síndrome de grandeza só porque esse estado é rico.”
As declarações foram feitas numa visita marcada por outras provocações ao governo estadual: durante a cerimônia de entrega de obras, Lula cobriu com os dedos o nome do governador Jorginho Mello numa placa de inauguração — gesto registrado e amplamente compartilhado nas redes sociais.
Por que a referência a Hitler num discurso em Santa Catarina é especialmente sensível
Santa Catarina é o estado com o maior contingente de descendentes de imigrantes alemães e italianos no Brasil, com comunidades centenárias no Vale do Itajaí, no Norte e no Oeste do estado. Municípios como Blumenau, Joinville, Pomerode e Treze Tílias preservam até hoje arquitetura, culinária, idioma e tradições de suas origens europeias. A associação, mesmo que indireta, entre o orgulho regional catarinense e a ideologia nazista é interpretada por amplos setores da população como uma calúnia à história e à identidade cultural do estado — o que explica a intensidade da reação política que se seguiu.
A reação de Jorginho Mello e o acionamento da PGR
O Governo do Estado disse em nota que a declaração teve caráter discriminatório contra os catarinenses e, por isso, decidiu encaminhar representação à PGR. “Uma coisa é o presidente me criticar ou vir a Santa Catarina dizer coisas que não condizem com a realidade. Isso faz parte do debate político e nós respondemos com fatos. Outra coisa, muito diferente, é chamar o povo catarinense de racista. Isso é criminoso, preconceituoso e ele precisa responder por isso”, afirmou Jorginho Mello.
Além da representação à PGR, Jorginho rebateu a afirmação de Lula de que SC teria recusado R$ 24 bilhões em investimentos. O senador compartilhou um vídeo do governador explicando uma das críticas feitas por Lula. O presidente disse que o Governo de Santa Catarina não teria aceitado um investimento de R$ 24 bilhões em parceria com o Governo Federal. O governador de SC rebateu no vídeo, dizendo que nunca foi oferecido esse valor e que a gestão de Lula queria, na verdade, uma empresa para arrumar as rodovias estaduais e implementar pedágios.
As deputadas que criticaram Lula
As declarações de Lula sobre Santa Catarina geraram reações em nomes da direita. Além de Flávio Bolsonaro, deputadas como a deputada federal Carol De Toni e a deputada estadual Julia Zanatta se manifestaram sobre o caso.
De Toni afirmou que Lula tentava criar uma narrativa falsa ao falar que há uma ‘síndrome de grandeza’ em algumas pessoas de Santa Catarina. A deputada elencou os povos que construíram o estado e afirmou que as falas não refletiam a realidade da população catarinense. “Presidente, quem demonstra síndrome de grandeza é quem acredita que pode criar uma narrativa falsa.”
A deputada Julia Zanatta também comentou as falas de Lula e afirmou que ele repetia falas que a esquerda utilizaria para associar o povo catarinense ao nazismo e fascismo. “Nós só queremos ter o orgulho de ser catarinense”, disse a deputada. Julia repudiou o conteúdo das declarações e disse que o presidente ‘vomitou preconceitos’.
Zanatta também criticou a distribuição de recursos federais, frisando que o estado enviava mais recursos para Brasília do que recebe de retorno.