
Um novo alerta para maré alta e intensificação de vento sul em Florianópolis foi emitido pela Secretaria de Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina nesta segunda-feira (22). O alerta é laranja, o que indica que as regiões em que ele foi emitido têm risco maior para ocorrências marítimas.

O que o alerta cobre e por quanto tempo
O aviso cobre tanto esta segunda quanto terça-feira (23), e destaca as regiões litorais, com o Litoral Norte em risco moderado e o Litoral Sul com risco alto para alagamentos.
A maré alta já provoca desafios aos moradores de Florianópolis na noite desta segunda-feira (22), e durante a terça-feira (23), com a intensificação do vento sul no mar, com rajadas de até 60 a 80 km/h.
O que é um alerta laranja e o que ele representa
O sistema de alertas da Defesa Civil de Santa Catarina classifica os riscos em diferentes cores: verde indica situação normal, amarelo aponta para riscos moderados, laranja sinaliza risco alto e vermelho representa perigo iminente e crítico. Um alerta laranja é, portanto, o segundo nível mais grave — ele significa que a Defesa Civil identificou condições que representam risco real de ocorrências que podem causar danos materiais e colocar pessoas em situação de perigo, especialmente em áreas mais expostas ao fenômeno. Para o litoral catarinense, as ocorrências associadas a esse nível de alerta envolvem ondas invadindo praias, calçadas e ciclofaixas, alagamentos em vias costeiras e risco aumentado para quem pratica atividades no mar.
Os ventos sul e a maré alta: como os dois fenômenos se combinam
A intensificação do vento sul que acompanha a maré alta é um fator agravante crítico. Quando ventos fortes de 60 a 80 km/h sopram em direção ao continente — ou seja, do oceano para a costa —, eles empurram fisicamente a massa d’água em direção ao litoral, ampliando o alcance da maré e o tamanho das ondas além do que seria esperado apenas pela variação astronômica das marés. Esse fenômeno é chamado de sobreelevação meteorológica ou “storm surge” — uma elevação temporária do nível do mar causada não pela gravidade da Lua e do Sol, mas pelos ventos. A combinação de uma maré alta astronômica com uma sobreelevação meteorológica pode resultar em ondas e níveis d’água muito maiores do que qualquer um dos dois fenômenos causaria isoladamente, explicando por que um alerta laranja foi necessário mesmo sem a presença de um ciclone diretamente sobre o litoral.
A SC-405: uma rodovia repetidamente afetada
Na última semana, a situação impactou a mobilidade na Capital, especialmente em pontos considerados críticos na SC-405, principal ligação com o Sul da Ilha, reacendendo o alerta para os impactos das condições oceânicas sobre a rotina de moradores e motoristas. O problema foi registrado na região do Rio Tavares, área historicamente vulnerável à elevação do nível do mar. A concentração de água sobre a pista dificultou a circulação de veículos e gerou preocupação entre moradores, comerciantes e motoristas que utilizam diariamente a rodovia.
A SC-405, também conhecida como Rodovia Baldicero Filomeno, é a principal — e praticamente única — via de acesso às praias do Sul da Ilha de Florianópolis, incluindo Ribeirão da Ilha, Armação e Pântano do Sul. Quando a maré alta avança sobre a pista na região do Rio Tavares, o trânsito para esse lado da ilha fica bloqueado ou severamente prejudicado, afetando dezenas de milhares de moradores que dependem da rodovia para ir e voltar ao trabalho e à escola. O fato de esse problema se repetir episodicamente revela uma vulnerabilidade estrutural de Florianópolis que vai além do clima: a falta de alternativas viárias no Sul da Ilha torna a capital catarinense dependente de uma única rota que, quando inundada, isola comunidades inteiras.
As orientações da Defesa Civil
As orientações da Defesa Civil são reforçadas diante da previsão de mar agitado e da possibilidade de ressaca no litoral, condições que podem representar riscos tanto para moradores quanto para turistas. O aumento das ondas e a força das correntes marítimas podem causar acidentes, além de provocar alagamentos e danos em áreas próximas à faixa de areia, exigindo atenção redobrada da população e o acompanhamento constante dos avisos meteorológicos e de monitoramento costeiro.
As recomendações incluem evitar atividades de navegação, pesca, esportes marítimos e banho de mar; evitar caminhar ou pedalar na orla caso as ondas estejam atingindo a ciclovia; e permanecer atento aos avisos e alertas emitidos pela Defesa Civil.
O alerta de maré alta chega simultaneamente à entrada em vigor da primeira onda de frio do inverno — que começou oficialmente no domingo (21) com o solstício —, com previsão de mínimas de -5°C na Serra catarinense até quarta-feira (24), e risco de neve na terça. No litoral, enquanto a Serra congela, Florianópolis enfrenta a combinação oposta: água demais, não gelo — mas igualmente disruptiva para a rotina de quem mora ou trabalha próximo ao mar. A sobreposição de fenômenos — frio polar interior e ressaca no litoral — ilustra o caráter dinâmico e geograficamente diverso do inverno catarinense, especialmente num ano em que o El Niño confirmado pela NOAA promete amplificar a frequência e a intensidade desses eventos nos meses à frente.