
O programa VOA+ SC, lançado pelo governo de Santa Catarina, deve ser implementado até 2027 e promete reduzir drasticamente o custo das viagens aéreas entre Florianópolis e cidades do interior do estado, com passagens a partir de R$ 315. De acordo com o secretário de Portos, Aeroportos e Ferrovias de Santa Catarina, Ivan Amaral, não haverá restrição alguma para usar o programa, nem renda mínima, nem comprovante de residência em Santa Catarina. “Qualquer pessoa pode comprar a passagem e utilizar o programa. É aberto para todos”, afirmou. Isso significa que tanto moradores do estado quanto turistas poderão adquirir os bilhetes com os valores subsidiados.

O que é o VOA+ SC e por que ele existe
O programa busca resgatar uma realidade que já existiu no estado décadas atrás. “Na década de 70 e 80 nós tínhamos aviação regional em Santa Catarina. A TransBrasil nasceu ali em Concórdia e Videira. Era comum ter voos saindo de Joaçaba, Caçador e São Miguel do Oeste. Depois isso morreu”, afirmou Amaral. A iniciativa pretende melhorar a mobilidade entre diferentes regiões catarinenses onde trajetos terrestres podem consumir várias horas — como entre Florianópolis e São Miguel do Oeste, no Extremo Oeste do estado, viagem que de carro leva mais de cinco horas e que, de avião, deve durar apenas 1h50.
Por que voos regionais custam tão caro sem subsídio
Os primeiros voos serão realizados com aeronaves de nove lugares. Posteriormente, a intenção é ampliar a operação para aviões com capacidade para 19 passageiros. “Como são aeronaves pequenas, a tarifa ficaria muito cara sem ajuda do estado. Hoje, cerca de 40% do custo da aviação é combustível. Em algumas rotas, uma passagem poderia ultrapassar R$ 2 mil sem o subsídio”, explicou o secretário.
A explicação revela a lógica econômica que torna a aviação regional historicamente inviável sem apoio público: aeronaves pequenas têm custo operacional por assento muito mais alto do que aviões grandes, já que despesas fixas como combustível, tripulação e taxas aeroportuárias se diluem entre menos passageiros. É exatamente essa equação que explica por que rotas regionais desapareceram do Brasil ao longo das últimas décadas — sem subsídio, a tarifa necessária para cobrir os custos fica alta demais para a demanda do mercado, e as companhias simplesmente abandonam essas rotas em favor das conexões mais lucrativas entre grandes capitais.
Como funciona o modelo de subsídio
Pelo modelo adotado, o governo pagará parte da hora de voo da empresa vencedora da licitação. Já os valores arrecadados com venda de passagens e transporte de cargas serão descontados do subsídio público. O estado deverá investir até R$ 22,5 milhões no primeiro ano de operação, valor que pode aumentar ou diminuir durante o andamento do programa.
As rotas e os valores previstos
Inicialmente, o programa prevê ligações entre Florianópolis e nove cidades do interior, mas as rotas ainda poderão ser ajustadas conforme a demanda. Os valores de referência previstos no edital para voos saindo da Capital são: Blumenau, 30 minutos de voo, R$ 315; Jaguaruna, 30 minutos, R$ 315; Lages, 40 minutos, R$ 315; Forquilhinha (Criciúma), 40 minutos, R$ 315; Joinville, 44 minutos, R$ 315; Joaçaba, 1 hora, R$ 450; Caçador, 1h27, R$ 652,50; e São Miguel do Oeste, 1h50, R$ 824,85.
A comparação entre tempo de voo e tempo de viagem terrestre é o argumento central do programa: um trajeto que de carro consumiria a maior parte de um dia útil passa a ser feito em menos de duas horas — uma transformação radical na mobilidade regional, especialmente para empresários, profissionais de saúde, estudantes e trabalhadores que precisam se deslocar com frequência entre a capital e o interior do estado.
Flexibilidade para eventos sazonais
Segundo Amaral, haverá uma comissão de acompanhamento para avaliar a ocupação dos voos ao longo do ano. “Em períodos como a Oktoberfest, em Blumenau, ou a Festa Nacional do Pinhão, em Lages, poderemos aumentar a oferta de voos. As rotas são flexíveis justamente para atender essas demandas sazonais”, disse o secretário.
O cronograma: licitação em agosto, voos ainda em 2026
Atualmente, Santa Catarina possui 24 aeroportos, dos quais 19 são administrados pelo estado. Segundo o secretário, 16 já contam com obras em andamento e novos investimentos devem ser anunciados nos próximos dias em municípios como Pinhalzinho e Itapiranga. A previsão do governo é concluir o julgamento da licitação em agosto. Caso não haja recursos ou atrasos no processo, a venda das passagens poderá começar ainda neste ano, entre novembro e dezembro.