Pesquisa AtlasIntel aponta conservador Espriella na liderança com 50,9% a uma semana do segundo turno na Colômbia

Atlas: Candidato da direita abre vantagem sobre governista em disputa na  Colômbia

Uma pesquisa da AtlasIntel divulgada neste sábado (13) mostra o candidato conservador Abelardo de la Espriella na liderança do segundo turno das eleições presidenciais da Colômbia. Segundo o levantamento, ele tem 50,9% das intenções de voto, contra 43,1% de Iván Cepeda. A pesquisa foi realizada de 9 a 11 de junho e tem margem de erro de dois pontos percentuais. Outros 2,2% dos entrevistados afirmaram estar indecisos, enquanto 3% disseram que pretendem votar em branco e 0,7% declararam voto nulo. O levantamento ouviu 2 mil pessoas em diferentes regiões do país e o nível de confiança é de 95%.

Quem é Abelardo de la Espriella

De la Espriella, de 47 anos, é advogado e disputa a primeira eleição. O candidato tem recebido apoio de setores conservadores e costuma citar líderes como Donald Trump, Nayib Bukele e Javier Milei como referências políticas.

Sua trajetória antes da política é a de um advogado com casos controversos no currículo — incluindo a defesa de figuras ligadas ao crime organizado colombiano e de Alex Saab, aliado do ditador Nicolás Maduro. Essas defesas foram amplamente usadas pelos adversários na campanha para questionar seus valores e sua lisura. Mas o discurso de Espriella nas urnas falou mais alto do que seu passado profissional: segurança pública, combate ao narcotráfico, alinhamento com os Estados Unidos e rejeição ao modelo político representado por Gustavo Petro construíram uma base eleitoral que surpreendeu todas as pesquisas no primeiro turno.

Quem é Iván Cepeda e o que ele representa

Cepeda, senador e aliado do presidente e ex-guerrilheiro Gustavo Petro, representa a continuidade do atual governo.

Iván Cepeda é filho do senador Manuel Cepeda Vargas, assassinado em 1994 com participação de agentes estatais e paramilitares — uma história que moldou sua trajetória como defensor de direitos humanos e seu posicionamento na esquerda colombiana. Como candidato do campo petista, ele carrega ao mesmo tempo o capital político do movimento que governa a Colômbia há quatro anos e o peso de um governo marcado por instabilidade econômica, tensões com o empresariado, escalada da violência em algumas regiões e confronto permanente com o Congresso.

A semana que antecede o segundo turno: direita se unifica

Nas últimas semanas, lideranças da direita colombiana passaram a apoiar a candidatura de De la Espriella, em um movimento de unificação do campo conservador contra o candidato apoiado por Petro.

Esse movimento de unificação é crucial para entender a margem que a pesquisa aponta. No primeiro turno, Espriella venceu com 43,74% dos votos, contra 40,91% de Cepeda. A candidata de direita Paloma Valencia ficou em terceiro, com 1,6 milhão de votos. A migração desse eleitorado — de um campo ideologicamente alinhado com Espriella — para o conservador no segundo turno explica em grande parte a vantagem de 7,8 pontos percentuais que a pesquisa da AtlasIntel registra agora.

A contestação de Petro e o clima político tenso

O caminho até o segundo turno foi marcado por turbulência. O presidente Gustavo Petro contestou publicamente o resultado do primeiro turno, alegando fraude e manipulação nos algoritmos de apuração — acusações que o próprio candidato Cepeda recuou de endossar em menos de 24 horas, afirmando não ter encontrado evidências de irregularidades. A Registraduría Nacional del Estado Civil, autoridade eleitoral colombiana, rejeitou as acusações de Petro. A esquerda entrou no segundo turno, portanto, com uma divisão interna: o presidente querendo contestar o processo e o candidato querendo preservar a legitimidade de sua própria campanha.

O que está em jogo para a América Latina

A eleição colombiana de 21 de junho é mais um capítulo da disputa geopolítica que divide o continente. Se Espriella vencer com os números que a pesquisa aponta, a Colômbia se juntará à Argentina de Milei, ao Brasil pós-Bolsonaro representado por Flávio na pré-campanha, ao Equador e ao El Salvador num bloco de governos de direita que tem como referência política comum a admiração por Trump, Bukele e Milei — e a rejeição ao chavismo, ao petismo e ao que classificam como “socialismo do século XXI”. Para Gustavo Petro, perder o poder para um candidato que não pertence ao mundo político institucional e que fez de sua crítica ao governo atual o principal combustível de campanha seria uma derrota histórica e pessoal — especialmente depois de um mandato marcado por confrontos permanentes com o Congresso, o empresariado e agora com o próprio processo eleitoral.

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