SC-416 terá 25 km duplicados em concreto para atender Porto Itapoá — obras começam entre fim de 2026 e início de 2027 após licitação de R$ 223 milhões

Duplicação da SC-416 entre Garuva e Itapoá deve começar entre o final de  2026 e início de 2027 - Tribuna de Itapoá

A primeira etapa da duplicação da SC-416, no Norte de Santa Catarina, será dedicada à elaboração do projeto executivo, numa fase que terá entre 60 e 90 dias. As obras começam na sequência. O edital lançado no mês passado terá abertura das propostas em julho. Como há período para a conclusão do certame e do projeto, as obras devem começar entre o final de 2026 e início de 2027. Ao todo, são 18 meses para a conclusão dos trabalhos a partir da ordem de serviço.

O que é a SC-416 e por que ela é uma rota estratégica

A SC-416 é a rodovia que faz o acesso à região portuária de Itapoá, no extremo Norte catarinense, às margens da Baía da Babitonga. O Porto Itapoá é um dos terminais de contêineres mais movimentados do Sul do Brasil — e seu crescimento acelerado nas últimas décadas transformou a SC-416 num gargalo logístico crítico. A via concentra um volume intenso de caminhões pesados que transportam contêineres entre o porto e as rodovias de conexão com o restante do estado e do país, especialmente a BR-101 e a SC-417, que faz a divisa com o Paraná.

Como será a duplicação: pista nova de concreto ao lado da existente

O edital da contratação semi-integrada da SC-416 tem valor máximo de R$ 223 milhões. Na duplicação, será construída pista nova de concreto ao lado da atual, com espaço entre as duas. Foi a forma encontrada para reduzir o impacto no trânsito em via de grande movimentação de caminhões por causa do porto de Itapoá. Depois que as novas faixas forem finalizadas, o tráfego muda de lugar para permitir que a pista antiga seja restaurada com camada de concreto — técnica conhecida como whitetopping.

A escolha pelo concreto — em vez do asfalto convencional — é tecnicamente relevante: rodovias com grande volume de veículos pesados, como é o caso de uma rota portuária com caminhões carregados de contêineres, sofrem deformações e deterioração muito mais rápidas em revestimento asfáltico do que em concreto. O concreto tem custo inicial mais alto, mas vida útil significativamente maior e menor necessidade de manutenção corretiva, o que o torna mais econômico no longo prazo para vias de alto tráfego pesado. O whitetopping — aplicação de camada de concreto sobre o asfalto existente — é uma técnica de reabilitação que combina as vantagens dos dois materiais, preservando a estrutura já construída e adicionando a resistência do concreto.

A etapa de projeto executivo: o que são 60 a 90 dias de preparação

O projeto executivo é o detalhamento técnico completo de uma obra — o documento que transforma o projeto básico em instruções precisas e executáveis para cada elemento da construção: geometria exata da via, tipo de fundação, drenagem, sinalização, obras de arte especiais como pontes e viadutos, e todos os demais componentes. O projeto básico para a duplicação dos 25 km da SC-416 entre a SC-417, em Garuva, e a região portuária de Itapoá foi contratado em 2021, com elaboração até 2023. Outros segmentos de rodovias no entorno também foram contemplados no trabalho. O projeto da SC-416 passou por revisão recentemente.

A diferença entre projeto básico e projeto executivo é que o primeiro define o que será feito e o segundo detalha como será feito. Numa contratação semi-integrada — modalidade prevista na nova Lei de Licitações —, o contratado recebe o projeto básico e é responsável por elaborar o projeto executivo antes de iniciar as obras. Esse modelo distribui responsabilidades e agiliza o processo, mas exige um período específico de planejamento antes do início das intervenções físicas — daí os 60 a 90 dias de projeto executivo previstos antes do começo das obras.

As demais obras previstas para a região

Há mais obras de duplicações previstas para a região, a serem contratadas pelo governo do Paraná, como compensação pelo acordo dos royalties.

A referência aos royalties diz respeito ao acordo firmado entre os estados de Santa Catarina e Paraná sobre a divisão de receitas provenientes da exploração de recursos naturais na região. Como compensação, o Paraná assumiu o compromisso de financiar duplicações em trechos de rodovias que beneficiam o acesso portuário — incluindo segmentos da PR-412, que é a continuação da SC-416 no lado paranaense, na direção de Guaratuba. A duplicação simultânea de ambos os lados da divisa estadual é essencial para que o corredor logístico funcione de forma contínua e sem gargalos nos pontos de transição entre os dois estados.

O contexto de crescimento de Itapoá

A urgência na duplicação da SC-416 está diretamente ligada ao crescimento explosivo de Itapoá nas últimas décadas. A cidade teve um crescimento populacional de 134% desde 2010 — o que a coloca entre as cidades que mais cresceram em Santa Catarina no período — impulsionado diretamente pela expansão do porto e do seu entorno logístico. O Porto Itapoá recebeu investimentos para ampliação do canal externo da Baía da Babitonga, o que permitirá a entrada de embarcações maiores e deve ampliar ainda mais o volume de operações — e, consequentemente, o fluxo de caminhões na SC-416 nos próximos anos. A duplicação da rodovia é, portanto, uma infraestrutura de pressão imediata: sem ela, o crescimento do porto cria um gargalo de capacidade que pode comprometer a competitividade do terminal e encarecer a logística de exportação de toda a região.

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