Com 35% mais habitantes, Santa Catarina registra o menor número de homicídios em quase duas décadas, queda de 75% desde o pico de 2017

Santa Catarina registra menor número de homicídios para maio desde 2008 -  Visor Notícias

Santa Catarina estabeleceu em maio de 2026 um marco histórico na segurança pública: registrou apenas 22 homicídios no mês, o menor número desde o início da série histórica, em 2008. O resultado é ainda mais significativo quando se considera que o estado tem hoje 35% mais habitantes do que tinha quando a contagem começou — o que significa que a violência letal caiu de forma absoluta mesmo enquanto a população crescia.

O que os números revelam

O estado registrou 22 homicídios em maio de 2026, o menor número para o mês desde o início da série histórica, em 2008. O resultado representa uma redução de 42,1% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram registradas 38 ocorrências. Em maio de 2024 foram registrados 39 homicídios. Em 2025, o número ficou em 38. Agora, em 2026, o total caiu para 22 ocorrências, estabelecendo um novo recorde.

A redução é ainda mais expressiva quando comparada ao período de maior registro da série histórica. Em maio de 2017, Santa Catarina contabilizou 90 homicídios. Em relação àquele ano, a queda chega a 75,6%.

Para entender a dimensão dessa mudança: em maio de 2017, a cada três dias morriam em média nove pessoas vítimas de homicídio em Santa Catarina. Em maio de 2026, esse número caiu para menos de uma morte a cada dia. Num estado que ultrapassa 8 milhões de habitantes, isso representa uma transformação estrutural no perfil de violência — não uma oscilação estatística.

O peso do crescimento populacional na análise

Os dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública mostram que o resultado foi registrado em um período de crescimento populacional. Em maio de 2008, quando a série teve início, o estado contabilizou 41 homicídios e tinha cerca de 6 milhões de habitantes. Atualmente, Santa Catarina ultrapassa os 8 milhões de moradores, um crescimento populacional de cerca de 35% no período.

Esse dado é fundamental para entender o real alcance da conquista. Em análise de violência, o número absoluto de homicídios pode ser enganoso: uma cidade que dobra de tamanho naturalmente tende a ter mais crimes se as condições de segurança permanecerem iguais. No caso catarinense, ocorreu o oposto: a população cresceu 35% e os homicídios caíram mais de 46% no mesmo período — o que significa que a taxa de homicídios por habitante caiu de forma ainda mais acentuada do que os números absolutos já revelam.

O que dizem as autoridades

“Mesmo com um número maior de pessoas vivendo, trabalhando e circulando em Santa Catarina, conseguimos preservar a tendência de redução das mortes violentas. Isso é resultado do comprometimento permanente das nossas forças de segurança e dos investimentos realizados pelo Estado”, afirma o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello.

Segundo o secretário de Estado da Segurança Pública, coronel Flávio Graff, “trata-se de um indicador que evidencia o fortalecimento das políticas públicas de segurança e a permanente busca pela preservação da vida. Com mais este resultado excepcional, Santa Catarina poderá encerrar o primeiro semestre de 2026 com números inéditos na redução da violência letal”.

O ranking nacional: SC lidera em segurança

Os dados mensais são corroborados pelo Atlas da Violência 2026, o mais abrangente estudo anual sobre violência no Brasil, que consolida as tendências de longo prazo e posiciona Santa Catarina no topo do ranking nacional de segurança.

O levantamento aponta Santa Catarina como o estado com a menor taxa de homicídios estimados do país, com 8,8 casos por 100 mil habitantes. Na sequência aparecem o Distrito Federal, com taxa de 10,8, e São Paulo, com 12,8. A média nacional foi de 23,4 homicídios por 100 mil habitantes.

Em outras palavras: um catarinense tem quase três vezes menos chance de morrer vítima de homicídio do que a média de um brasileiro. A taxa de SC é equivalente à de países europeus considerados seguros, como Portugal e Espanha, e está muito abaixo de vizinhos como Paraná e Rio Grande do Sul.

O que são “homicídios estimados” e por que o Atlas usa esse conceito

Os dados são do Atlas da Violência 2026, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O estudo utiliza informações do Ministério da Saúde referentes a 2024 e considera os chamados homicídios estimados, indicador que inclui tanto os casos registrados quanto mortes violentas inicialmente classificadas como de causa indeterminada, conhecidas como homicídios ocultos.

Os “homicídios ocultos” são mortes que chegam aos serviços de saúde — e são registradas nos sistemas do Ministério da Saúde — mas que inicialmente não são classificadas como homicídio pela polícia, seja por dificuldade de apuração, seja por subnotificação. O Atlas usa algoritmos estatísticos para estimar a proporção dessas mortes indeterminadas que, provavelmente, são de fato homicídios. Isso torna o indicador mais preciso e comparável entre estados — especialmente porque alguns estados têm sistemas de registro policial mais eficientes do que outros.

As capitais e cidades mais seguras do Brasil

Entre as capitais brasileiras, Florianópolis aparece com a menor taxa de homicídios estimados, de 9,7 por 100 mil habitantes. Em seguida estão Brasília, com 10,9, e Curitiba, com 13,2.

Entre os municípios com mais de 100 mil habitantes, Jaraguá do Sul lidera o ranking nacional, com taxa de 2,0 homicídios estimados por 100 mil habitantes. Brusque aparece em segundo lugar, com 2,6. Tubarão e Blumenau também figuram entre os municípios mais bem posicionados do país.

O desempenho de Jaraguá do Sul e Brusque é particularmente notável: com taxas abaixo de 3 por 100 mil habitantes, ambas as cidades apresentam índices de violência comparáveis aos de países escandinavos — considerados referência mundial em segurança pública. O fato de duas cidades médias do interior de Santa Catarina figurarem entre as menos violentas do Brasil e do hemisfério ocidental é um dado que merece atenção não apenas pela segurança em si, mas pelo que revela sobre o modelo de desenvolvimento social e econômico adotado na região do Vale do Itajaí e do Norte catarinense.

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