
Na Marcha para Jesus desta quinta-feira (4 de junho), em São Paulo, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, fez sua primeira declaração pública sobre os desafios de ser o relator dos dois inquéritos mais politicamente sensíveis que tramitam atualmente na Corte: o do Banco Master e o das fraudes no INSS.
O que disse Mendonça
“Enfrentar de um lado com serenidade, ao mesmo tempo que responsabilidade, diante de Deus e dos homens. Crendo que Deus provê todas as coisas e pedindo a ele sabedoria para fazer Justiça a todos”, disse o ministro em entrevista concedida à organização da marcha.
A declaração foi dada no ambiente da Marcha para Jesus — o maior evento evangélico do Brasil, realizado em São Paulo — onde Mendonça, que é pastor presbiteriano e um dos ministros do STF com perfil mais abertamente cristão, falou diretamente ao seu público de fé. A escolha das palavras não foi casual: “serenidade”, “responsabilidade”, “sabedoria” e “Justiça a todos” são termos que, num contexto político de pressão intensa sobre o relator, soam como uma resposta pública às cobranças que o ministro vem recebendo de diferentes lados.
Por que as palavras de Mendonça têm peso neste momento
Mendonça é o relator de dois dos casos mais importantes que estão atualmente na Corte: os inquéritos das fraudes no Banco Master e do INSS.
O caso Master é o mais politicamente explosivo. O inquérito investiga um esquema de fraudes e lavagem de dinheiro envolvendo o Banco Master, cujo ex-CEO Daniel Vorcaro está preso. As investigações revelaram que recursos do banco teriam custeado despesas de luxo de autoridades públicas no exterior, há suspeitas de conexão com o crime organizado e o escândalo respinga em figuras políticas de diferentes campos — incluindo o próprio pré-candidato Flávio Bolsonaro, que participou da mesma Marcha para Jesus horas antes, e cujo áudio cobrando dinheiro de Vorcaro veio a público semanas atrás.
O caso INSS, por sua vez, investiga o maior esquema de fraudes da Previdência Social da história do Brasil — descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas que podem ter gerado um rombo superior a R$ 6 bilhões. O inquérito tem como um dos investigados o Careca do INSS, figura que conecta o escândalo ao círculo próximo do filho do presidente Lula.
Ser relator de ambos os casos simultaneamente coloca Mendonça numa posição única: ele acumula as investigações que atingem simultaneamente o campo da direita — pelo caso Master e pelo vínculo de Flávio com Vorcaro — e o campo do governo — pelo caso INSS e pela conexão com Lulinha. A pressão vem dos dois lados, o que torna o pedido público de “serenidade” e “sabedoria” especialmente significativo.