Com UTIs no limite, cidades catarinenses abrem vacinação contra a gripe para toda a população

UTIs ficam no limite em meio a vacinação contra gripe em baixa na maior  cidade de SC

Santa Catarina enfrenta um cenário preocupante de pressão sobre o sistema de saúde neste outono. Com 92,3% dos leitos de UTI ocupados em todo o estado, segundo o Centro de Informações Estratégicas para a Gestão do SUS (Cieges-SC), municípios como Florianópolis, Joinville, Balneário Camboriú, Brusque, Chapecó, Tubarão, Araranguá e Criciúma ampliaram a vacinação contra a gripe para toda a população, e não apenas para os grupos prioritários. O objetivo é reduzir casos graves de síndromes respiratórias e aliviar a pressão sobre as unidades hospitalares.

O que é a vacina da gripe e como funciona a campanha nacional

A vacina contra a influenza — nome científico da gripe — é produzida anualmente e atualizada de acordo com as cepas do vírus que circulam com mais intensidade no período. A fórmula aplicada em 2026 é a vacina trivalente, que protege simultaneamente contra os vírus influenza A H1N1, A H3N2 e influenza B — as três variantes mais prevalentes na atual temporada. O calendário nacional de vacinação contra a gripe é realizado todos os anos pelo Ministério da Saúde, geralmente entre abril e junho, priorizando inicialmente os grupos mais vulneráveis: idosos, crianças de seis meses a menores de seis anos, gestantes, puérperas, professores, trabalhadores de saúde, pessoas com comorbidades e povos indígenas. Quando o estoque permite e a cobertura entre os prioritários está garantida — ou quando há urgência epidemiológica, como neste caso —, as secretarias municipais podem abrir a imunização para toda a população.

A ocupação hospitalar em detalhes

A região com a maior taxa de ocupação é o Grande Oeste, onde 98,9% dos leitos de UTI estão ocupados — dos 95 leitos ativos, apenas um permanece disponível. No Planalto Norte e Nordeste, a taxa chega a 97,3%, com apenas oito leitos livres entre os 291 ativos, para uma população de cerca de 1,5 milhão de pessoas.

A situação é crítica também nas maiores cidades do estado. Em Joinville, apenas um leito de UTI está disponível nos quatro hospitais — e essa vaga fica no Hospital Infantil Dr. Jeser Amarante Faria. No único hospital público de Balneário Camboriú, o Ruth Cardoso, a taxa de ocupação está em 100%, sem nenhum leito de UTI disponível. Em Florianópolis, são 12 leitos de UTI disponíveis, sendo sete no Hospital Infantil Joana de Gusmão.

Onde e quando se vacinar

Florianópolis e Joinville abriram a imunização para toda a população nesta quarta-feira (27). Em Florianópolis, a vacina está disponível em 50 pontos de vacinação, incluindo todos os Centros de Saúde da capital. Em Joinville, a vacinação pode ser realizada em todas as Unidades Básicas de Saúde da Família, por ordem de chegada e sem agendamento. Balneário Camboriú realizará seu Dia D neste sábado (30), na UBS Central, das 9h às 16h. Chapecó inicia a imunização ampliada nesta quinta-feira (28), nos 28 Centros de Saúde da Família do município. Criciúma também terá Dia D no sábado, em todas as 47 Unidades Básicas de Saúde, das 8h às 17h, com cerca de 15 mil doses disponíveis.

A baixa cobertura entre os grupos prioritários

Apesar da abertura para toda a população, os números revelam uma adesão ainda preocupante entre quem mais precisa da vacina. Balneário Camboriú vacinou mais de 19 mil pessoas do grupo prioritário, o que representa apenas 35,65% da cobertura esperada. Florianópolis atingiu 35,24% de cobertura entre os prioritários, com mais de 49 mil imunizados nesse grupo. Joinville vacinou mais de 51 mil pessoas do público-alvo, representando 34,80% de cobertura.

A diretora de Vigilâncias da Secretaria da Saúde de Joinville, Maria Cristina Willemann, reforçou o apelo: “A população interessada em se imunizar pode se dirigir às unidades de saúde, mas lembramos que os públicos mais vulneráveis ainda devem procurar a vacina, pois ela é a maneira mais eficaz e segura de proteger este público mais vulnerável.”

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