
A emissão recorde de títulos, principalmente vinculados à Taxa Selic — os juros básicos da economia —, fez a Dívida Pública Federal (DPF) subir em abril. Segundo números divulgados nesta quarta-feira (27) pelo Tesouro Nacional, a DPF passou de R$ 8,633 trilhões em março para R$ 8,798 trilhões no mês passado, alta de 1,91%. Em agosto do ano passado, o indicador superou pela primeira vez a barreira de R$ 8 trilhões.
O que é a Dívida Pública Federal e por que ela cresce
A Dívida Pública Federal é o conjunto de obrigações financeiras do governo federal brasileiro com seus credores — principalmente investidores que compraram títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional. Quando o governo gasta mais do que arrecada, ele precisa captar recursos no mercado para cobrir essa diferença, o que faz emitindo títulos: papéis que prometem devolver o dinheiro ao investidor com juros após um determinado prazo. Quanto maior o déficit fiscal e maior a taxa de juros, mais a dívida tende a crescer. No caso do Brasil, a Selic elevada — que serve como referência para os títulos chamados “pós-fixados” — tem sido um dos principais motores do crescimento acelerado da dívida nos últimos anos, já que uma parcela expressiva dos papéis emitidos é diretamente indexada a ela.
O que puxou o crescimento em abril
No mês passado, o Tesouro emitiu R$ 68,04 bilhões em títulos a mais do que resgatou, principalmente em papéis ligados à Selic. A Dívida Pública Mobiliária interna (DPMFi) avançou 1,93%, passando de R$ 8,302 trilhões em março para R$ 8,462 trilhões em abril. Já a dívida pública federal externa apresentou expansão mais moderada, de 1,28%, chegando a R$ 335,9 bilhões.
O colchão da dívida e o que ele representa
Após uma queda expressiva em março, o colchão da dívida pública — reserva financeira usada em momentos de turbulência ou de forte concentração de vencimentos — subiu. Essa reserva passou de R$ 885 milhões em março para R$ 1,091 trilhão em abril, sendo que atualmente o colchão cobre 8,91 meses de vencimentos da dívida pública.
O colchão da dívida funciona como uma espécie de fundo de emergência do governo: é uma reserva mantida pelo Tesouro para garantir que, mesmo em momentos de crise ou de estresse financeiro nos mercados, o governo consiga honrar seus compromissos com os detentores de títulos sem precisar emitir novos papéis em condições desfavoráveis. Quanto maior o colchão, maior a capacidade do governo de resistir a turbulências sem se endividar ainda mais para pagar dívidas que vencem. O fato de ele ter praticamente zerado em março — chegando a apenas R$ 885 milhões, valor irrisório para um governo que deve quase R$ 9 trilhões — gerou preocupação no mercado e motivou as emissões aceleradas de abril para recompor essa reserva.
Os vencimentos à frente e a projeção para o ano
Nos próximos 12 meses, está previsto o vencimento de R$ 1,649 trilhão em títulos federais. De acordo com o Plano Anual de Financiamento (PAF), apresentado em janeiro, o estoque da DPF deve encerrar 2026 entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões.