Pressionado pelo Novo e isolado na direita, Zema recua nas críticas a Flávio e faz aceno ao PL

Zema reduz críticas a Flávio Bolsonaro após pressão do Novo

O pré-candidato à Presidência da República pelo Partido Novo, Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais, passou por uma semana politicamente turbulenta: partiu para o ataque direto contra Flávio Bolsonaro, recebeu um ultimato do próprio partido e recuou com um gesto de aproximação que não convenceu todos os lados da direita.

O que desencadeou a crise

O atrito começou quando Zema classificou como “imperdoável” a proximidade de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, banqueiro investigado pela Polícia Federal no escândalo do Banco Master. A movimentação foi alvo de críticas de bolsonaristas e até de correligionários do Novo, que têm relação estreita com políticos da família Bolsonaro. Os grupos chegaram a classificar a atitude do mineiro como “precipitada”.

Dias depois, Zema foi ainda mais longe e declarou publicamente que quem votar em Flávio Bolsonaro estará “muito provavelmente” dando mais quatro anos ao presidente Lula, escancarando a fratura dentro da direita. Flávio aparece com 46% de rejeição, numericamente acima dos 45% de Lula, um dado que acende o alerta entre os estrategistas do antipetismo.

O que é a cláusula de barreira e por que ela explica o recuo

A cláusula de barreira é um mecanismo eleitoral que condiciona o acesso dos partidos a recursos do Fundo Partidário e ao tempo de propaganda no rádio e na televisão ao desempenho nas eleições para a Câmara dos Deputados. Partidos que não atingem o percentual mínimo de votos perdem acesso a esses recursos, o que pode inviabilizar sua operação política e sua sobrevivência institucional. Para um partido pequeno como o Novo, disputar o limiar da cláusula de barreira a cada eleição é uma questão de sobrevivência — e qualquer desgaste com o eleitorado de direita, que representa a maior parte de sua base, representa risco direto a essa sobrevivência.

O ultimato interno

Zema participou de uma reunião na terça-feira (26) com parlamentares do Novo e presidentes estaduais da legenda. No encontro, ele foi informado de que poderá ficar sem apoio partidário para disputar a Presidência caso mantenha a postura adotada sobre o episódio envolvendo Flávio Bolsonaro. A principal preocupação interna do Novo é o desempenho da legenda nas eleições para a Câmara dos Deputados. Integrantes do partido avaliam que a sobrevivência política da sigla depende da superação da cláusula de barreira.

Conforme o estatuto da legenda, a decisão sobre lançar ou não uma candidatura à Presidência cabe aos parlamentares e aos presidentes estaduais do partido. A pré-candidatura do ex-governador, portanto, passa a depender de uma recomposição interna.

O recuo e o aceno a Flávio

Pressionado internamente, Zema publicou um vídeo buscando reduzir a tensão ao reforçar que, em um eventual segundo turno, seu compromisso é apoiar qualquer nome que se oponha ao projeto de poder de Lula. Ele declarou que, caso não seja o seu nome o escolhido, dará apoio total a Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado ou qualquer outro candidato que represente a alternativa ao atual governo.

O cenário eleitoral que fragiliza Zema

A última pesquisa BTG/Nexus mostrou Zema com apenas 4% das intenções de voto, na quarta posição, atrás de Lula (40%), Flávio Bolsonaro (35%) e Ronaldo Caiado (5%), com quem está tecnicamente empatado.

O cenário é de reviravolta, já que anteriormente as articulações apontavam Zema como possível vice na chapa encabeçada por Flávio Bolsonaro. A ala conservadora do Novo avaliou internamente a viabilidade de retirar a pré-candidatura presidencial de Zema, e em uma consulta informal realizada na última semana, a maioria dos dirigentes se manifestou contrária à manutenção do nome do ex-governador na disputa pelo Palácio do Planalto.

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