
Temendo um atentado como o sofrido por seu pai em 2018, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, passou a comparecer a eventos públicos utilizando colete à prova de balas. A decisão foi revelada em vídeo publicado neste domingo, 24 de maio, em suas redes sociais.
O que Flávio disse no vídeo
Na legenda da publicação, Flávio afirmou que frequentemente é questionado sobre o que usa por baixo da camisa em determinados eventos: “Algumas pessoas me perguntam o que eu uso por baixo da camisa em alguns eventos. Hoje eu vou explicar pra vocês.”
No vídeo, o filho 01 de Bolsonaro aparece vestindo um colete preto e colocando uma camisa da seleção brasileira por cima. “Tem trabalhador que bota farda, bota capacete, não bota uniforme nenhum… Eu ‘era’ pra botar só terno e gravata, uma calça jeans, uma coisa e tal. Infelizmente eu sei do que eles são capazes”, afirmou.
Na gravação, o parlamentar fez referência direta à facada que atingiu o ex-presidente Jair Bolsonaro durante ato de campanha em Juiz de Fora (MG), em 2018: “Infelizmente, eu sei do que eles são capazes. Já tentaram fazer com o meu pai, não conseguiram. Não posso dar sopa para o azar.”
O senador acrescentou: “Eu sei que esse pessoal não tem limites para destruir quem se coloca no caminho deles. Estão achando que vão me intimidar? Não vão, estou preparado. Aqui é sangue de Bolsonaro.” Flávio não especificou quem seriam “eles” ou citou qualquer ameaça concreta e nominada.
O contexto: a facada em Jair Bolsonaro
A referência de Flávio remete a um dos episódios mais marcantes da política brasileira recente. Em 6 de setembro de 2018, durante ato de campanha presidencial em Juiz de Fora, Jair Bolsonaro foi esfaqueado por Adélio Bispo de Oliveira enquanto era carregado nos ombros por apoiadores. A facada atingiu o abdômen e causou lesões graves, exigindo cirurgias de emergência e semanas de internação. Adélio foi preso em flagrante e, posteriormente, declarado inimputável pela Justiça, o que gerou controvérsias sobre os bastidores do ataque que permanecem vivas até hoje entre os apoiadores da família Bolsonaro.
Não é a primeira vez
O uso do colete já havia chamado atenção anteriormente. Em 1º de março de 2026, Flávio participou de manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, com segurança reforçada e colete à prova de balas. Questionado na ocasião, disse que usou o equipamento por saber dos riscos à sua segurança. A assessoria do senador confirmou que foi uma recomendação da própria equipe de proteção do pré-candidato. Segundo um agente da Polícia Federal que o acompanhava, o motivo foi “ameaça real de fogo”.
O cenário político por trás da decisão
No vídeo, Flávio disse que não gostaria de circular com esse tipo de proteção, mas afirma enxergar um ambiente de “ódio” e “desumanização” contra adversários políticos, e que não pretende recuar diante de possíveis ameaças.