Terras agrícolas de SC chegam a R$ 169 mil/ha em Campos Novos e refletem recorde do agronegócio catarinense

Mercado de terras agrícolas em Santa Catarina dispara em 2025 com força do  agronegócio

Levantamento da Epagri/Cepa mostra forte variação conforme aptidão e localização; Campos Novos e Turvo lideram em valorização; áreas de servidão florestal chegam a apenas R$ 10,4 mil/ha; dados são referência para políticas públicas e declarações fiscais de produtores


Levantamento feito pela Epagri/Cepa mostra que os preços das terras agrícolas em Santa Catarina subiram em 2025 impulsionados pelo desempenho do agronegócio catarinense. Houve forte variação conforme o tipo de área, a aptidão produtiva e a localização. As terras de primeira, com maior potencial agrícola, registraram os maiores valores, com destaque para Campos Novos, onde o preço médio chegou a R$ 169 mil por hectare.


Os valores mais altos: soja e arroz puxam a liderança

Entre as áreas mais valorizadas, apareceram também as várzeas sistematizadas, especialmente em regiões produtoras de arroz, como Turvo, com valor médio de R$ 164 mil por hectare.

A valorização das terras de primeira em Campos Novos reflete a força da produção de soja e milho no Planalto Serrano. Já as várzeas sistematizadas de Turvo reproduzem o peso da orizicultura no Sul catarinense, onde o arrendamento responde por cerca de 60% da área cultivada.


Os menores valores: limitações produtivas e legislação ambiental

Na outra ponta estão as áreas com limitações produtivas ou uso restrito. As terras de segunda tiveram valor médio de R$ 38,34 mil por hectare em Lebon Régis, enquanto as terras de terceira, caracterizadas por alta declividade, alcançaram R$ 19,75 mil por hectare em Calmon. O campo nativo foi avaliado em R$ 19,91 mil por hectare em Lages, e as terras destinadas à servidão florestal ou reserva legal apresentaram os menores preços, com média de R$ 10,37 mil por hectare em Otacílio Costa.


O agronegócio como motor da valorização

Os preços das terras agrícolas em Santa Catarina refletem o peso da agropecuária na economia estadual. Com elevada aptidão agrícola e sistemas produtivos intensivos, o setor mantém crescimento consistente. Nos últimos dez anos, o Valor da Produção Agropecuária avançou, em média, 4,3% ao ano em termos reais.

Em 2025, o VPA foi estimado em R$ 74,9 bilhões, alta de 15,4% frente a 2024, resultado da combinação entre preços mais altos e maior produção. A pecuária respondeu por 58% do valor gerado no campo, seguida pelos grãos. Suínos, frangos, leite e soja concentraram mais da metade do VPA estadual.


As forças que moldam o mercado fundiário

Os resultados evidenciam as diferentes dinâmicas regionais de Santa Catarina, moldadas pelo perfil produtivo, pela pressão urbana e turística, pela legislação ambiental e pela aptidão agrícola das áreas, o que reforça a diversidade do mercado de terras no estado.

Esse desempenho sustentou a valorização das terras, sobretudo nas classes ligadas à produção de grãos. As terras de primeira e segunda classes tiveram os maiores valores no Oeste e no Planalto Norte, regiões com forte presença da soja. No litoral, a pressão urbana, industrial e portuária também elevou os preços. Terras de terceira e de servidão florestal valorizaram com a legislação ambiental e o avanço do turismo rural.


Como os dados são coletados e para que servem

O levantamento dos preços de terras agrícolas é realizado de forma contínua pela Epagri desde 1997. O estudo apresenta valores médios por município para seis classes de terra e se consolida como uma das principais referências técnicas para o acompanhamento do mercado fundiário rural em Santa Catarina.

A coleta das informações ocorre entre os meses de outubro e janeiro e considera exclusivamente o valor da terra nua, sem benfeitorias. O trabalho é realizado por técnicos e agentes de mercado da Epagri/Cepa distribuídos em todas as regiões catarinenses, com base em informações fornecidas por informantes-chave, como imobiliárias, cooperativas, sindicatos rurais, associações de produtores, cartórios e órgãos públicos.

De acordo com a analista Glaucia de Almeida Padrão, os dados também servem de referência para prefeituras municipais e produtores rurais, especialmente para fins declaratórios.

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