Lula decide reenviar Messias ao STF antes de outubro e vê derrota como “traição” do Senado ao governo

Jorge Messias: notícias na Folha

Presidente quer reafirmar prerrogativa de indicar ministros e não recuar diante da rejeição histórica de 42 a 34; Messias, de férias até dia 25, vê reapresentação com cautela e só topará nova sabatina com garantia de vitória; aliados alertam que segunda derrota agravaria ainda mais a crise com o Congresso


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou a aliados que pretende reenviar ao Senado a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal, mesmo após a rejeição do nome do advogado-geral da União pela Casa. Segundo interlocutores do Palácio do Planalto, Lula avalia que a escolha de ministros do STF é uma atribuição exclusiva do presidente da República e considera que a derrota teve caráter político contra o governo, e não pessoal contra Messias.


A leitura de Lula: “traição” e prerrogativa presidencial

Reservadamente, Lula também tem afirmado que a derrota no Senado não foi direcionada pessoalmente ao advogado-geral da União, mas ao próprio governo federal.

O presidente avalia que não houve justificativa técnica para barrar a indicação e acredita que Messias demonstrou preparo para assumir uma cadeira na Suprema Corte. Pessoas próximas ao Palácio do Planalto relatam que Lula reforçou essa percepção após acompanhar trechos da sabatina de Messias no Senado.

Na avaliação do presidente, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), teria sido “traído” durante a votação.


O gesto do TSE que mudou o humor de Lula

Um dos motivos para a mudança de ideia foram os fortes aplausos recebidos por Messias durante a posse do novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Nunes Marques, na última terça-feira. O episódio foi entendido pelo petista como um ato de desagravo. Na cerimônia, contudo, Lula quase não conversou com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, mesmo se sentando ao lado dele.


A condição de Messias: garantia de vitória antes de entrar novamente na arena

Apesar da intenção de Lula, Messias vê a possibilidade com receio. Ele teria deixado claro ao presidente que só aceitaria passar novamente pelo crivo do Senado caso tivesse certeza que, desta vez, o resultado seria diferente. São necessários pelo menos 42 votos favoráveis no Senado para uma indicação passar — oito a mais do que o governo conseguiu.

Messias entrou de férias no dia 13 de maio e seu retorno está previsto para o próximo dia 25. Na AGU, há quem avalie que, caso ele permaneça no cargo, haverá constrangimento nas tratativas dos interesses da União com o STF, frente à oposição a seu nome por parte de alguns integrantes da corte.


O alerta dos aliados: segunda derrota seria catastrófica

Esses interlocutores avaliam que uma segunda derrota agravaria ainda mais a crise entre Executivo e Legislativo e poderia comprometer futuras indicações ao Judiciário e a tribunais superiores. Há também quem defenda deixar a cadeira vaga temporariamente até que o cenário eleitoral de 2026 esteja mais definido.


A pressão do PT por uma mulher — e a resistência de Lula

Nos bastidores, nomes alternativos continuam sendo cogitados. Entre governistas, há pressão para que Lula indique uma mulher negra ao STF, tema que ganhou força após a rejeição de Messias.

Para o líder do partido na Câmara, Pedro Uczai (PT-SC), além da questão da representatividade, a escolha por uma ministra traria um menor risco de rejeição neste momento.

O presidente também teria desistido da possibilidade de indicar uma mulher para a vaga aberta no STF, hipótese discutida internamente após a rejeição do AGU. A tendência, segundo aliados, é de manutenção da estratégia inicial, sem mudanças na articulação política do governo.


A tensão com Alcolumbre: distância física e política

O episódio aumentou a tensão entre o Palácio do Planalto e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Durante a cerimônia no TSE, aliados notaram distanciamento entre Lula e o senador. A rejeição do nome de Messias também expôs dificuldades na articulação política do governo no Congresso. O número de votos favoráveis ficou abaixo do previsto pelos líderes governistas. Apesar disso, Lula sinalizou que não pretende promover mudanças na equipe responsável pela articulação política.

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