
Navios do tipo RSV serão construídos em SC com até 80% de conteúdo local; propulsão híbrida reduz emissões de carbono; projeto deve gerar 7 mil empregos diretos e indiretos; Navegantes se consolida como polo naval ao lado de Itajaí, que já constrói as fragatas da Marinha
Com o objetivo de ampliar a capacidade operacional, a Petrobras assinou oito contratos que somam o valor de R$ 11 bilhões para a construção de quatro embarcações, incluindo afretamento e serviços para apoio submarino às operações de águas profundas e ultraprofundas. O contrato foi firmado com a multinacional norueguesa DOF Subsea Serviços LTDA e a construção dos navios será no estaleiro Navship, em Navegantes, Santa Catarina, parceiro da DOF.
O projeto integra o Programa Mar Aberto, voltado à renovação e ampliação da frota do Sistema Petrobras. O contrato foi assinado quinta-feira (14) pelo gerente executivo de Sistemas Submarinos da Petrobras, Flavio Bretanha, e o CEO da DOF, Mario Fuzetti.

O tipo de embarcação e sua função estratégica
Serão fabricadas embarcações do tipo RSV (ROV Support Vessel), especiais para atividades de inspeção, manutenção e reparo submarino, consideradas estratégicas para a continuidade das operações offshore da companhia.
Os RSVs são navios altamente especializados, equipados com veículos operados remotamente (ROVs) para trabalhos a grandes profundidades — fundamentais para manter as operações do pré-sal em funcionamento sem interrupções.
Os empregos gerados: 7 mil diretos e indiretos
As estimativas são de que esses contratos vão somar cerca de 7 mil novos empregos diretos e indiretos nas fases de construção e operação. Desses, serão 1,5 mil diretos e 5,6 mil indiretos.
O conteúdo local: até 80% na construção e 90% na operação
Outro ponto destacado pela Petrobras é que é um projeto que fortalece a indústria naval brasileira. As projeções são alcançar até 80% de conteúdo local na etapa de construção das embarcações e 90% durante a operação dos navios.
“A gestão atual da Petrobras ampliou o número de fornecedores por meio da simplificação de especificações, aumentando a competitividade e aquecendo o mercado naval, com maior volume de propostas qualificadas. Esse movimento faz parte de uma nova postura da companhia, de maior aproximação e escuta ativa do mercado fornecedor”, destacou o gerente executivo de Sistemas Submarinos da Petrobras, Flavio Bretanha.
A tecnologia de propulsão híbrida que reduz emissões
Essas novas embarcações serão equipadas com sistemas de propulsão híbrida, combinando baterias, motores elétricos e combustíveis de menor impacto ambiental. A tecnologia permitirá maior eficiência energética, redução no consumo de combustível e menor emissão de gases de efeito estufa. A medida faz parte das metas de descarbonização da companhia.
“Estamos investindo em embarcações tecnológicas, com redução de emissões de carbono, construindo novos barcos no Brasil, o que beneficia a criação de empregos diretos e indiretos. Com essa parceria estamos mantendo, ao lado da Petrobras, a indústria naval cada vez mais aquecida”, afirmou Mario Fuzetti, CEO da DOF.
O contexto estratégico: Plano 2026-2030
Essa contratação foi por meio de licitação para atender o Plano Estratégico 2026-2030 da Petrobras. Ela visa ampliação da capacidade operacional, fortalecimento da cadeia de fornecedores no país e redução de poluentes. “Considero essa licitação exitosa, em linha com as demandas do plano de negócios da companhia. Essa parceria demonstra mais uma vez a união entre Petrobras e mercado fornecedor local. A construção de quatro embarcações no Brasil se traduz em geração de emprego e menor dependência do mercado internacional”, disse Alexandre Gomes Alves, gerente executivo de Suprimentos da Petrobras.
SC como polo naval bilionário: Navship, Thyssenkrupp e Detroit
Além deste novo projeto, indústrias navais do litoral de SC estão construindo outras embarcações relevantes. A Thyssenkrupp, Estaleiro Brasil Sul, em Itajaí, está construindo quatro fragatas para a Marinha no valor atual de aproximadamente R$ 12 bilhões. E o Estaleiro Detroit está construindo oito embarcações para operações offshore, um investimento total de R$ 2,5 bilhões.
Somando os três projetos em andamento — as fragatas da Marinha em Itajaí, as embarcações do Estaleiro Detroit e agora os quatro RSVs da DOF em Navegantes —, o litoral catarinense concentra atualmente mais de R$ 25 bilhões em contratos de construção naval, consolidando Santa Catarina como um dos mais relevantes polos da indústria naval brasileira. Para uma região que há duas décadas dependia quase exclusivamente do turismo e da pesca, a transformação em hub marítimo de alta tecnologia é uma das mudanças econômicas mais estruturais dos últimos anos no estado.