
Guilherme Figueiredo Silva deixou a chefia da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários no início de maio, redistribuindo os inquéritos para outros delegados; mudança gerou preocupação no STF e motivou encontro entre o relator e a equipe da PF nesta sexta-feira; defesa de Lulinha comemorou
A Polícia Federal substituiu o delegado que chefiava o inquérito sobre desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e foi responsável por pedir a realização de investigação contra Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Procurada, a direção da PF não respondeu se a troca ocorreu a pedido do próprio delegado ou se foi por uma definição do comando da corporação.

Quem saiu e o que ele fez no caso
O delegado Guilherme Figueiredo Silva era chefe da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários da Polícia Federal e foi o responsável por coordenar e conduzir as investigações sobre o INSS depois que o caso foi remetido ao Supremo Tribunal Federal. Foi ele quem pediu, por exemplo, a prisão do empresário Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, suspeito de liderar o esquema de desvios de aposentadorias.
Guilherme deixou o caso no início do mês e redistribuiu os inquéritos para outros delegados. Ele não participou, por exemplo, da rodada de depoimentos dos investigados realizada nas últimas semanas.
Mendonça convoca reunião de urgência com a PF
Essa troca no caso motivou uma reunião do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça com a equipe da PF nesta sexta-feira, 15. O ministro pediu esclarecimentos sobre o assunto.
A convocação de uma reunião de urgência pelo relator do caso sinaliza que a mudança foi recebida com surpresa e desconforto no STF — especialmente porque ocorre em um momento em que as investigações sobre Lulinha estão em fase sensível, com quebras de sigilo bancário já autorizadas e relatórios produzidos sobre movimentações suspeitas de pessoas próximas ao filho do presidente.
Por que a troca gerou polêmica
A condução do caso do INSS vinha gerando críticas da defesa de Lulinha, que afirmava em declarações públicas que não havia fundamentos para que a investigação tomasse medidas contra o filho do presidente.
A PF solicitou, por exemplo, a quebra do sigilo bancário de Lulinha, que foi autorizada por André Mendonça, e produziu relatórios apontando suspeitas em movimentações financeiras de uma amiga dele, a empresária Roberta Luchsinger. As defesas deles negam o envolvimento com irregularidades.
Como Lulinha entrou no radar da investigação
O filho do presidente entrou na mira da investigação a partir do depoimento de um ex-funcionário do Careca do INSS, que afirmou ter ouvido falar sobre o pagamento de uma mesada do empresário a Lulinha. A PF levantou informações e descobriu que o Careca do INSS fechou um contrato com a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, e pagou R$ 1,5 milhão a ela. A Polícia Federal, então, enviou uma petição ao ministro André Mendonça dizendo que começou a apurar se Lulinha seria sócio oculto do Careca do INSS e relatando ter encontrado diversas menções ao filho do presidente.
A viagem a Portugal e o negócio de cannabis
Posteriormente, a defesa de Lulinha admitiu ao STF que ele viajou a Portugal com despesas pagas pelo Careca do INSS, com o objetivo de prospectar um negócio de cannabis medicinal. A defesa afirmou que o negócio não foi adiante e não houve nenhum contrato ou recebimento de recursos por parte do filho do presidente.