
Sistema de baixa pressão com desenvolvimento rápido deve impulsionar frente fria intensa que avança pelo RS na quinta-feira e atinge SC e PR na sexta; acumulados de chuva podem ultrapassar 200 mm no PR e MS, com risco de alagamentos, deslizamentos e queda de árvores
A formação de um possível “Ciclone Bomba” entre Argentina e Uruguai deve influenciar o tempo no Brasil. O avanço de uma frente fria traz previsão de chuvas intensas e ventos fortes no Sul a partir desta quinta-feira, 7 de maio.
O que é um ‘Ciclone Bomba’
O “Ciclone Bomba” é caracterizado pela rápida intensificação de um sistema de baixa pressão, o que potencializa seus impactos. A denominação técnica é “ciclogênese explosiva” — quando a pressão atmosférica despenca mais de 24 hectopascais em 24 horas, tornando o sistema muito mais violento do que os ciclones convencionais.

O cronograma de formação e deslocamento
Entre quarta-feira, 6, e quinta-feira, 7, um sistema de baixa pressão começa a se intensificar entre a Argentina e o Uruguai. Durante o fim de semana, o aumento de nebulosidade e pancadas de chuva nesses países pode dar origem a um ciclone extratropical com desenvolvimento rápido.
De acordo com a Meteored, entre sexta-feira, 8, e sábado, 9, o sistema ganha força e se desloca em direção ao oceano Atlântico, afastando-se do continente. Apesar de não atingir diretamente o Brasil durante sua formação, o sistema impulsiona uma intensa frente fria que avança sobre o país.
Os ventos que preocupam
No litoral do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, as rajadas de vento podem chegar a 80 km/h. No interior, durante a passagem da frente fria, os ventos podem atingir até 90 km/h. Há ainda possibilidade de rajadas de até 100 km/h, especialmente na sexta-feira, 8, o que pode causar queda de árvores, placas e estruturas.
Estado por estado: quem é atingido e quando
Os estados mais afetados seguem uma sequência temporal bem definida. Na quinta-feira, 7, o Rio Grande do Sul será o principal alvo, com previsão de chuva forte. Na sexta-feira, 8, a instabilidade avança para Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e áreas do oeste e sul de São Paulo. No sábado, 9, e domingo, 10, o sistema perde força, mas mantém chuva e nebulosidade no Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
O risco de enchentes: 200 mm de chuva
Os acumulados de chuva podem ultrapassar os 200 milímetros no Paraná e em Mato Grosso do Sul, aumentando o risco de alagamentos, transbordamento de rios e deslizamentos de terra. Para se ter dimensão, 200 mm em poucos dias equivale ao que algumas cidades recebem em um mês inteiro durante o outono.
O frio que vem logo depois
O ciclone não é o único sistema a se preocupar. Após a passagem da frente fria associada ao fenômeno, uma massa de ar polar avança pelo Sul do Brasil, provocando queda abrupta de temperaturas no fim de semana — com mínimas que podem se aproximar de 0°C nas serras catarinense e gaúcha, tornando o Dia das Mães, no domingo, 10 de maio, o mais frio do ano até agora.
As recomendações da Defesa Civil
A Defesa Civil orienta evitar áreas de risco durante períodos de chuva intensa e não atravessar vias alagadas. Também é importante manter atenção em encostas para identificar sinais de deslizamento. Em caso de ventos fortes, a recomendação é não estacionar veículos próximos a árvores, placas e estruturas altas, além de evitar permanecer em locais expostos.
A previsão ainda pode sofrer ajustes, mas o cenário exige monitoramento constante devido ao risco de eventos climáticos severos no Sul e em parte do Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. Moradores do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul devem acompanhar os alertas da Defesa Civil e do INMET nas próximas horas — e se preparar para um dos eventos meteorológicos mais intensos do outono de 2026.