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A decisão do governo Lula de retirar o Brasil da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA) representa um gesto diplomático profundamente equivocado — e, mais do que isso, um sinal preocupante de desprezo por compromissos históricos com a preservação da memória, da verdade e da luta contra o antissemitismo.
Um recuo que fere princípios universais
A IHRA não é uma aliança política, tampouco um braço de defesa do governo israelense. Trata-se de uma organização internacional dedicada à educação, pesquisa e preservação da memória do Holocausto, além do combate ao antissemitismo em todas as suas formas. Ao sair da iniciativa, o Brasil abandona um espaço de diálogo civilizatório e se afasta de um consenso global sobre os horrores do século XX.
O gesto não foi acompanhado de justificativa pública clara. O Itamaraty não explicou os motivos da saída, e a decisão foi comunicada diretamente à embaixada de Israel em Brasília, segundo fontes diplomáticas. A falta de transparência só agrava o impacto simbólico da medida.
Uma escalada de hostilidade
A saída da IHRA se soma a uma série de ações que têm deteriorado as relações entre Brasil e Israel:
- Lula foi declarado persona non grata em Israel após comparar as ações militares em Gaza ao Holocausto.
- O governo brasileiro retirou seu embaixador de Tel Aviv e ainda não aprovou o nome do novo representante israelense em Brasília.
- O Brasil oficializou apoio à ação judicial da África do Sul na Corte Internacional de Justiça, que acusa Israel de genocídio na Faixa de Gaza.
Essas decisões, embora possam ser justificadas por posicionamentos políticos sobre o conflito no Oriente Médio, não deveriam contaminar compromissos com a memória histórica e o combate ao ódio.
O erro estratégico e moral
Ao romper com a IHRA, o governo Lula transmite a mensagem de que questões humanitárias universais estão subordinadas à sua agenda ideológica. Isso enfraquece a posição do Brasil como ator global equilibrado e compromete sua imagem em fóruns internacionais.
Mais grave ainda: o gesto pode ser interpretado como indiferença institucional ao antissemitismo, em um momento em que o mundo assiste ao crescimento de discursos de ódio e revisionismo histórico.
A memória do Holocausto não pertence a um governo, a um partido ou a uma ideologia. Ela é patrimônio da humanidade — e o Brasil, ao se afastar da IHRA, dá um passo lamentável na contramão da responsabilidade histórica e da diplomacia ética.