
Cerimônia em Andradina reuniu Alckmin, ministros e lideranças do MST; cooperativa beneficiada já havia recebido mais de R$ 7 milhões do governo federal em contratos anteriores, incluindo compra sem licitação
O governo federal anunciou nesta segunda-feira, 27 de abril, em Andradina, no interior de São Paulo, um pacote de investimentos superior a R$ 909 milhões voltado ao fortalecimento da cadeia produtiva do leite na agricultura familiar e ao avanço da reforma agrária. A agenda contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin e da ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, com participação remota do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se recuperava de dois procedimentos médicos realizados na última sexta-feira.
Os R$ 15 milhões para a Coapar
A Cooperativa de Produção Agropecuária dos Assentados e Pequenos Produtores da Região Noroeste do Estado de São Paulo (Coapar) receberá R$ 15 milhões para a construção de uma fábrica de leite em pó. Dados oficiais de despesas públicas indicam que a mesma cooperativa já recebeu mais de R$ 7 milhões em recursos federais durante o atual governo.
O recurso será destinado por meio do Pronaf Agroindústria e será utilizado para a construção de uma unidade de produção de leite em pó, ampliando a capacidade de beneficiamento e agregando valor à produção local.
A cooperativa reúne mais de mil famílias de agricultores que produzem cerca de 35 mil litros de leite por dia e oferece ao mercado 15 tipos diferentes de laticínios. A integrante da diretoria da Coapar e gerente de produção de queijos, Maria Luiza Rodrigues, afirmou que a nova fábrica permitirá internalizar etapas antes terceirizadas, aumentando a autonomia produtiva da entidade e elevando o valor agregado dos produtos finais.
Contrato anterior sem licitação
O contrato mais recente anterior ao novo anúncio, voltado para a aquisição de leite em pó, rendeu R$ 5.549.922,32 à cooperativa do MST. A compra, feita por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), foi realizada sem licitação. Um dos critérios para aquisição dos alimentos priorizou propostas com maior percentual de assentados. “As organizações declaradas nos sistemas da Conab, com maioria de assentados no cadastro, tiveram preferência pelo valor cheio das suas propostas”, informou a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab)