
Cerca de 35,2 milhões de aposentados e pensionistas têm direito ao abono, mas beneficiários do BPC ficam de fora; pagamentos seguem calendário pelo número final do NIS
O INSS começa a depositar nesta sexta-feira (24) a primeira parcela do 13º salário para aproximadamente 35,2 milhões de aposentados, pensionistas e demais segurados. O pagamento é resultado de decreto assinado pelo presidente Lula no final de março, antecipando o abono anual.
A estimativa do INSS é que as duas parcelas juntas representem mais de R$ 78 bilhões circulando pela economia do país, volume que representa impulso significativo para o comércio e os serviços nos meses de abril, maio e junho.
Quem tem direito — e quem fica de fora
Têm direito ao 13º aqueles que em 2026 recebem aposentadoria, pensão por morte, auxílio por incapacidade temporária, auxílio-acidente, salário-maternidade ou auxílio-reclusão. Já os titulares do BPC (Benefício de Prestação Continuada) e da Renda Mensal Vitalícia ficam de fora do abono anual.
O BPC e a Renda Mensal Vitalícia são benefícios assistenciais, não previdenciários. O INSS é responsável pela operação do pagamento, mas a natureza jurídica é diferente: são destinados a idosos acima de 65 anos e pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade, independentemente de terem contribuído para a previdência. Por essa razão, a legislação não prevê 13º para essas categorias.
O calendário de pagamentos
O calendário de pagamento do INSS segue duas variáveis: o número final do NIS e o valor do benefício. Quem recebe até um salário mínimo — equivalente a R$ 1.621 em 2026 — tem prioridade no calendário e começa a receber antes dos beneficiários com renda superior a esse valor. A primeira parcela será depositada entre 24 de abril e 8 de maio, e a segunda entre 25 de maio e 8 de junho.
O INSS distribui os depósitos ao longo de dias úteis para evitar sobrecarga no sistema bancário e permitir que a rede de caixas eletrônicos e agências consiga atender o volume de saques sem travamentos.
O impacto econômico
Mais de R$ 78 bilhões distribuídos entre abril e junho representam injeção de renda que se espalha principalmente pelo comércio varejista, setor de alimentação, farmácias e prestadores de serviços que atendem aposentados e pensionistas. Em cidades menores, onde o benefício do INSS é frequentemente a principal fonte de renda de parcela significativa dos moradores, o impacto é ainda mais concentrado.
Adiantar o 13º para o primeiro semestre distribui o consumo ao longo do ano em vez de concentrá-lo em novembro e dezembro, gerando efeito anticíclico ao estimular a economia em meses que historicamente registram menor atividade comercial.
Como consultar o pagamento
A verificação pode ser feita pelo aplicativo Meu INSS, disponível para celulares Android e iOS, onde aposentados e pensionistas fazem login com CPF e senha gov.br e visualizam o extrato de pagamentos com as datas e valores previstos para cada parcela. O segundo canal é o site meu.inss.gov.br. O terceiro é o telefone 135, linha gratuita do INSS com atendimento entre segunda e sábado das 7h às 22h.
Caso a data prevista passe e o valor não tenha sido creditado, a orientação do INSS é aguardar 48 horas úteis antes de registrar reclamação. Erros de cadastro, bloqueios judiciais e pendências administrativas são as causas mais comuns de atraso.