
Amazonas, Pernambuco, Goiás, Pará e Paraíba são os estados mais afetados pelos cortes; rotas populares como São Paulo-Rio seguem mantidas, por enquanto
Companhias aéreas brasileiras cancelaram mais de 2 mil voos previstos para maio após o forte aumento do preço do petróleo e o reajuste de 54% no querosene de aviação anunciado pela Petrobras em 1º de abril.
Os dados do Sistema de Registro de Operações Aéreas (Siros), da Anac, mostram que o número de voos diários caiu de 2.193 para 2.128, o que representa 2.015 voos a menos no mês — cerca de 10 mil assentos diários retirados e 12 aeronaves fora de operação. O volume corresponde à retirada de aeronaves de médio porte, como Boeing 737, Airbus 320 e Embraer 195.
Os estados mais afetados
Os cortes afetam principalmente os estados do Amazonas, com queda de 17,5% no número de voos, seguido por Pernambuco (-10,5%), Goiás (-9,3%), Pará (-9,0%) e Paraíba (-8,9%).
De acordo com relatos feitos à CNN por executivos do setor, o cancelamento das operações ainda se concentra em ligações aéreas menos rentáveis, sem atingir significativamente rotas mais cobiçadas, como São Paulo-Rio de Janeiro ou São Paulo-Brasília.
Novo aumento à vista
Um novo aumento está previsto para o dia 1º de maio, com estimativa preliminar de até 20%. O percentual final depende ainda das variações nos últimos dez dias de abril. O repasse desse valor pode encarecer ainda mais as passagens aéreas, reduzindo a quantidade de viajantes nos próximos meses de 2026, até que a situação volte a se estabilizar.
A posição da Petrobras
Procurada pela CNN, a Petrobras afirmou que os ajustes no preço do querosene de aviação para as distribuidoras são feitos no dia 1º de cada mês, com base em fórmula contratual negociada entre as partes e vigente há 20 anos. A companhia disse que não pode antecipar decisões sobre manutenção ou reajustes por causa do sigilo comercial dos contratos e do atual cenário de volatilidade, mas ressaltou que em abril ofereceu ao mercado uma alternativa para reduzir os efeitos da alta, permitindo que distribuidoras tivessem um reajuste menor, com a diferença parcelada em seis vezes a partir de julho de 2026.
O alerta do setor
A Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas) afirmou que os impactos decorrentes do aumento do querosene são “gravíssimos”. Executivos do setor já admitem que até voos considerados “marginais” estão sendo reavaliados com urgência, e especialistas alertam que novos cortes são praticamente inevitáveis caso o preço do combustível continue elevado.
O cenário reflete ainda uma pressão global sobre o setor aéreo. O impacto se intensificou após o agravamento do conflito envolvendo o Irã e o bloqueio do Estreito de Ormuz, rota estratégica do petróleo, o que elevou o preço do querosene a níveis críticos no mundo inteiro, forçando diversas companhias a revisar rotas menos lucrativas.