
A Bahia, sob gestão contínua do Partido dos Trabalhadores (PT) há 18 anos, enfrenta um cenário alarmante na educação básica: o estado ocupa o último lugar no ranking nacional de alfabetização infantil, segundo dados do Indicador Criança Alfabetizada divulgados pelo Ministério da Educação em 2024. Apenas 36% das crianças do 2º ano do ensino fundamental conseguem ler e escrever textos simples — um índice muito abaixo da média nacional de 59,2%.
Esse resultado não é apenas um número preocupante: é o reflexo de falhas estruturais persistentes, desigualdades regionais profundas e gestões que não conseguiram romper o ciclo de exclusão educacional. A Bahia também lidera em analfabetismo adulto, com mais de 1,4 milhão de pessoas acima de 15 anos sem saber ler e escrever. A capital, Salvador, amarga a pior posição entre todas as capitais brasileiras, com apenas 36,75% de crianças alfabetizadas.
Apesar de o governo estadual alegar que a alfabetização é responsabilidade dos municípios, essa justificativa não exime o estado de sua responsabilidade constitucional de coordenar e apoiar políticas educacionais. A ausência de um sistema unificado de educação, como ocorre na saúde com o SUS, agrava a fragmentação das ações e dificulta avanços consistentes.
A gestão petista, que já enfrentou críticas por altos índices de desemprego e violência, agora vê sua credibilidade abalada também na área mais sensível e estratégica para o futuro: a educação. A falta de investimento em formação continuada de professores, infraestrutura escolar e políticas de alfabetização de qualidade revela um modelo de gestão que falha em garantir o básico.
Se a Bahia quiser reverter esse quadro, será necessário mais do que programas pontuais ou justificativas burocráticas. É preciso reconhecer os erros, romper com a inércia política e priorizar a alfabetização como política de Estado, com metas claras, recursos adequados e compromisso real com a transformação social. Porque sem alfabetização, não há cidadania — e sem cidadania, não há democracia que se sustente.