Médico brasileiro desenvolve técnica menos invasiva para tratar aneurismas

Tratamento de Aneurisma Cerebral | Philips

Um grupo de médicos brasileiros criou uma técnica inédita para o tratamento de aneurismas complexos, chamada Bifurcated In-Stent In Situ Technique (BIS2T). O método, desenvolvido no Hospital Santa Lúcia, em Brasília, e aprimorado em parceria com especialistas do Baylor College of Medicine, nos Estados Unidos, foi publicado no Journal of Endovascular Therapy em 2025 e apresentado no congresso internacional VEITH Symposium, em Nova York.

O que é o aneurisma

O aneurisma é uma dilatação na parede de uma artéria, semelhante a um balão, que pode ocorrer em diferentes partes do corpo, sendo mais comum na aorta. O maior risco está no rompimento, que pode causar hemorragias graves e até levar à morte.

Como funciona a BIS2T

  • A técnica utiliza stents já disponíveis no mercado, sem necessidade de dispositivos personalizados.
  • Permite preservar vasos importantes, como artérias renais e ilíacas internas, que em procedimentos tradicionais muitas vezes precisavam ser fechados.
  • O processo consiste em implantar um stent principal, abrir uma pequena passagem para acessar outro vaso e inserir um segundo stent, reforçado por um terceiro, formando uma estrutura bifurcada em formato de “D”.
  • Essa preservação reduz riscos de complicações como dor pélvica crônica, dificuldades de circulação e até disfunção erétil.

Resultados iniciais

Nos primeiros casos clínicos relatados, seis vasos foram preservados com sucesso, sem complicações ou obstruções. Os pacientes tiveram acompanhamento por angiotomografia e não apresentaram vazamentos ou falhas. Apesar de ainda serem necessários estudos com mais pacientes, os resultados são considerados promissores.

Impacto para o sistema de saúde

Por utilizar próteses já disponíveis, a BIS2T pode reduzir custos e tempo de espera, ampliando o acesso ao tratamento minimamente invasivo tanto no SUS quanto na rede privada. Segundo o cirurgião endovascular Gustavo Paludetto, chefe do Centro de NeuroCardioVascular do Hospital Santa Lúcia, a técnica representa um avanço técnico que pode mudar a conduta em pacientes antes considerados inadequados para cirurgia endovascular.

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